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2011/08/25

Louça


Quando começo a lavar a louça do jantar,e isso se passa no momento em que o Jornal Nacional começa a trazer as notícias fresquinhas do decorrer do dia,escuto meu pai dar um pigarro na sala:
-É, realmente só eu me passo como honesto,enquanto, uns e outros fazem exposição ridícula da sua figura!Por Deus! Aonde vamos parar?!
Sequei minhas mãos,após ter acabado;e dei um pequeno suspiro.
Talvez,porque eu já tenha me contentado com a situação.Afinal,já virou rotina ver pessoas,até mesmo artistas nacionais e internacionais fazer exposição de uma forma degradativa da sua figuraem troca de alguns pequenos e grandes trocados.Me pergunto se em algum momento eles já tiveram dignidade como eu tenho.
Não me despertava o interesse de saber sobre o quê, ou quem, se passava na propaganda que tinha acabado de substituir o jornal.Não é nem preciso olhar para chegar à conclusão de que será deprimente.Eu sabia que meu pai queria um argumento de minha parte sobre o assunto que ele acabara de se encher de indignação.Mas o que eu poderia fazer? A situação não iria mudar.Sempre haveria alguémque iria querer se sobrepor e levar vantagem;em qualquer aspecto que seja.
Já estou cansada de ouvir a expressão"Ah, o jeitinho brasileiro";Será que sou a única que não utiliza desse método?
Bem, meus pensamentos são solitários, e a louça no escorredor também.
Vou secá-la.

2011/06/02

Com Dança,mas sem consciência.


Essa vida de dançarina não é facil,diga-se de passagem.
Na maioria das vezes,jogamos todas as nossas emoções em nossos passos, sejam elas,boas ou ruins.Estou vivendo um período de frustração e fragilidade.Ah, e de tristeza também.
Sempre tento poder usufruir do melhor que a vida tem a ofereçer e a mostrar,mas o que eu posso fazer se ela não me dá uma pequena brecha?
Se quer me entender, eu explico:
Estava parada conversando com uma querida amiga, enquanto via vários casais dançarem no grande salão,com seu grande e espaçoso piso de madeira.As luzes eram baixas e deixavam o ambiente com o ar misterioso.
Involuntariamente um arrepio arrebata-me a boca do estômago.No outro lado do salão estava ele:me olhava compenetrado, e então, desviei o olhar,fingindo não ter percebido sua presença,e balancei o cabelo.Sim, um artifício feminino.
Quando me dei por conta, ele havia atravessado o salão, e estava parado á minha frente e me cumprimentando:
-Quer dançar comigo?
-É claro.- Sorri e segurando minha mão me puxou para o salão.
Dançamos uma música juntos, e ao final da mesma, ele me elogiou olhando de cima a baixo:
-Você está um arraso eim!-Até agora, não faço ideia se ele estava elogiando minha dança,ou minha aparencia no momento.
-Obrigada-Sorri maliciosamente,virei as costas e vaguei para meu canto do salão.
O mais impessionante é que depois de 15 minutos ele me tirou novamente para dançar.Como seria meio desagradával faze-lo me tirar todas as vezes para dançar, eu disse mais uma vez de uma forma maliciosa:
-Da próxima vez, eu te tiro pra dançar- Ele estava começando a se divertir com meu jogo corporal.
Como prometido, eu o tirei para dançar na terceira vez.Mas, ao término da música,ele resolveu não parar mais de dançar, assim, passou-se uma hora que ficamos dançando juntos.
O contato físico começou a ficar cada vez mais próximo, e eu quase perdi as batidas do meu coração(se é que elas estavam lá)quando ficamos queixo a queixo colados.
Mas que inferno astral que eu estou vivendo!
Afinal, ficamos uma única vez como casal há dois meses atrás, ele houvera decidido "terminar"uma coisa que nem ele mesmo se deu a chance de começar.
Se está se perguntando se eu gosto dele ou coisa paceçida se eu o ''AMO'',não posso lhe responder, pois eu não tenho mais a consciência nem de quem sou.
Não tenho vontade de comer,estudar,ler,cantar,de não sentir absolutamente nada.
Chega a ser deprimente, pego-me chorando do nada,quando estou olhando para a tv ou escutando uma música,por mais ridículo que seja.
Sei que homem nenhum mereçe as lágrimas de uma mulher.
Não consigo entender o motivo de tanta risteza.
Ainda não descobri, se essa vontade que tenho,é meramente física ou sentimental, para não me sentir vazia.
Fico em dúvida se é melhor sentir a dor, ou não sentir nada.
Eu gostaria de me postar na frente dele e dizer, o por que ele não se dá a chance e me dá uma chançe, mas a resposta é simples, eu não vou me rebaixar.
Uma vez na vida vou começar a me valorizar de verdade.
Mas eu garanto, se voltar a se repetir, simplesmente vou abrir o jogo:Vai se decidir? Pois eu não tenho muito tempo, tem uma fila de homens nesse mundo a fora.Estou dando-lhe uma última chance.
Eu vou esperar mais um pouco,mas não pense que vai ser por muito tempo.
A única vontade que tenho nesse momento,é de dançar,e talvez,de beija-lo novamente.


Lillies



2011/05/29

Happy Birthday

Sabia que toda vez que eu escuto "Hey, Soul Sister" lembro-me de você?! Invariavelmente. Não importa o momento, seja bom ou ruim. Agora, no seu aniversário, toda vez que você ouvir essa música você irá lembrar de mim. Invariavelmente. Tem mais: toda vez que você pensar em mim vai lembrar dessa música, afinal eu sou sua Soul Sister.
Por enquanto, esse é o meu presente pra você. Feliz aniversário (:




Pulp Girl

2011/05/05

Caminho



Eu estava tentando salvar a vida dele.
Eu havia recebido duas condições: ou eu me arriscava para salva-lo,ou simplesmente escolheria seguir em frente e não ajuda-lo.Se fizesse a segunda,ele morreria.
Por mais que meu coração estivesse dilacerado,não poderia deixa-lo perder a vida.
Acabei aceitando.
Um caminho sem fim,feito de cacos de vidro surgira na minha frente.
Uma voz ordenou: Caminhe.
Não havia reparado,mas meus sapatos já não estavam mais em meus pés.
Dei o primeiro passo.
Sentia os cacos de vidro entrarem na sola de meus pés,enquanto um material que eu não fazia ideia do que era feio,retalhava minhas costas aos poucos.
O sangue escorria.
A voz sombria começou a me atormentar,não que ela não tivesse feito isso antes,mas começou a afetar o meu psicológico,além do físico.
Pode chorar.Chorar é coisa dos humanos.É para os fracos,os frágeis.
Não.Eu não vou chorar.
E por quê não?Você já fez isso tantas vezes por ele,e o que ele fez?Nada.
Ele não me interessa mais,não faz mais parte da minha vida.
Então o que você esta fazendo?
Eu não tenho escolha.
É claro que tem,você não precisa fazer isso.
Mas não posso deixa-lo morrer.
Ele não faria o mesmo por você,eu tenho certeza disso.
CALE A BOCA.
Pobre criatura.
Ignorei esta última parte,e continuei caminhando.Eu não iria chorar,não importasse a dor que estava sentindo.Prometi a mim mesma que não o faria novamente.
A escuridão pairava a minha volta,eu não via mais nada além do caminho de vidro,que não conseguia ver o final.
Vamos brincar mais um pouquinho?
Por mais que eu quisesse,a voz não saía,o que esse maldito estava fazendo?
Surge em minha frente uma janela grande de vidro,e por ela,havia uma claridade muito intensa.
Será que era o caminho de volta?
Um sopro saiu de minha garganta:
Não...
Eu estava o vendo em minha frente,mas ele não estava sozinho.
Ele a abraçava e ria ao mesmo tempo,enquanto tocava-lhe a boca com seus lábios.
Sim!
Pare com isso!Por favor!
Mas só estamos começando!Incrível,você aqui,sangrando por ele,enquanto ele abraça ELA.Ele lhe beijou uma vez,oferecendo conforto,e você,achando que ele te amava?HÁ.
Não havia mais como segurar.O choro desesperado surgiu em meu rosto,e quando me dei por conta,gritei o nome dele.
Não adianta criança,ele não vai te ouvir,você não faz parte do mundo dele,nem ele do seu.
Sem mais forças,caí de joelhos no vidro,e minha visão começou a ficar embaçada.
Um último suspiro baixo saiu de minha boca, e chamei o nome dele novamente.
Hahaha.
Com o que me restava da visão,vi que ELA não estava mais lá mas ele continuava parado olhando para os lados procurando por ela,provavelmente.Senti uma mão puxar com força,meus cabelos para trás,para em seguida sussurrar em meu ouvido:
Está se divertindo gracinha?Ele é meu agora!Contente-se e cale-se.
Sua desgraçada,deixe-o em paz,e a mim também!
Ela empurrou meu rosto contra o vidro e senti um caco entrar em minha bochecha.
Mas o peso dela saiu de cima de mim.
O que estaria acontecendo?
Senti algo me erguer e me colocar para um lugar,que o vidro não me machucava.Era o chão liso.
Escutei um grito:
O que você está fazendo?
Não sei como pude ser tão cego!
Ela não serve para você.EU sou perfeita! Não enxerga isso.
A perfeição não existe.
Um barulho grande surgiu,seguido novamente por um grito agudo,rápido e abafado.
Ele se aproximou de mim,eu podia sentir.
Eu sinto muito.Você não merecia passar por isso.
Ele começou a retirar os cacos de vidro e suturar os ferimentos.
Pode me responder uma pergunta?
É claro.
Você faria o mesmo por mim?
Alguém que oferece a própria vida por mim,tem a minha vida em troca como resposta.A amizade é para isso não é?
Sim,claro.
Hoje,me olhei no espelho,não havia ficado nenhuma cicatriz em meu corpo,a única que existia,era a que ficava em meu coração.
Ele se tornara simplesmente um amigo.Eu enxergava o que ele não enxergava.
Ela não o amava.
Eu sim.
Por mais que tudo não passasse de um pesadelo,era a verdade que eu desejava que ele um dia visse.Ele possuiu o meu amor,mas o trocou em menos de uma semana, pelo dela.
Um dia,alguém pisará em cacos de vidro por mim,e eu sei que quando esse dia chegar,eu vou limpar os ferimentos.



2011/05/03

If you wanna Rock 'n' Roll

Angus Young explode nos meus ouvidos com o solo de T.N.T. Às vezes até eu mesma me surpreendo com o fato de que apenas escutando AC/DC eu consigo me acalmar de verdade.
Costumo dizer que os irmãos Young são meus únicos amigos verdadeiros. Foram eles que me ouviram chorar por você durante Back in Black, e me viram voltar para você  como uma adolescente apaixonada em Highway to Hell. Voltei a chorar, mas dessa vez foi em outro inferno, Hells Bells. Será que na próxima você vai querer voltar em Thunderstruck?
Não vou ficar me punindo dizendo que fui uma idiota, burra e afins, Se quisesse, chamaria minha mãe, que sabe fazer isso melhor do que ninguém. Não. Ao invés disso tudo, eu quero é te parabenizar por conseguir me enrolar durante tanto tempo, e agradecer por teres sido um aprendizado enorme na minha vida. Já sei o não devo mais fazer.
No mais, é hora de voltar ao caminho, já que It's a long way to the top.


Pulp Girl

2011/04/28

Ar Fresco

A luz estava piscando. Quem sabe a lâmpada estava morrendo ou apenas com mau contato. Àquela altura do campeonato, aquilo realmente não importava.
Estava deitada por cima da manta que mamãe bordou para mim. Sentimentos à flor da pele. A cama era mesmo um lugar quente para se chorar. Eu havia perdido a noção do tempo. Eu poderia estar ali há minutos, horas, dias... Cada lágrima que escorria por minha face não parecia o suficiente para acabar com aquele vazio, com aquela dor. Sim, vazio. Ele havia ocupado um lugar no meu coração. Eu não imaginava uma vida a não ser com ele.
Então eu estava ali. Havia perdido a sensibilidade do rosto. Não sentia mais as lágrimas rolando e se acumulando no travesseiro. Sentia apenas o meu corpo cansado de sentir dor.
Dois anos e meio. Iríamos fazer dois anos e meio daqui a uma semana. E então, ele foi embora. Um bilhete apenas. Um bilhete se lamentando. Nada mais. Nenhum motivo, nem um até logo. Nada. Esse bilhete ainda pulsava em minha mão, como uma veia aberta e dilacerada. Eu li aquele pedaço de papel tantas vezes que perdi  as contas. Eu decorei cada palavra. E o motivo de tudo aquilo teimava em não se mostrar para mim.
A dor não dava uma trégua sequer. Eu sentia saudade dos beijos dele, da mão na base das minhas costas me puxando para perto. Sentia saudade da boca dele no meu pescoço, sussurrando o quanto me amava. Foram tantas promessas quebradas em segundos. Promessas de amor eterno, de casamento e filhos... Na verdade, essa última foi a única que ele cumpriu. Eu ia dar a notícia quando completássemos dois anos e meio. Mas não houve essa oportunidade.
Eu não poderia criar esse filho sozinha. Eu olharia para uma criança, sem culpa, e a odiaria por tudo que ela me faria lembrar e por tudo que ela representaria. Não, eu não a teria.
Eu estava com fome. Sozinha e casa desde a hora a qual cheguei da casa dele. Eu tinha uma cópia da chave. O bilhete estava na mesa da sala. "Perdoe-me" ainda martela na minha cabeça. Não. Não perdoo. A dor não permite.
O eco de nossas risadas, as imagens de nossos sorrisos bombardeavam minha memória. Nessa hora eu não tinha mais lágrimas nos olhos.
Minha cabeça girava. Devo estar enlouquecendo. Veio-me à cabeça a lembrança de nossa última noite juntos. Teria sido a noite da consumação do bastardo? Parecia ter acontecido à séculos.
Minha cabeça ainda doía. Nem sabia o que estava fazendo. Em um momento estava deitada, no seguinte, abrindo a janela. Me surpreendi ao ver que já havia escurecido. O vento cálido de verão varria para longe toda a minha dor. Por um momento parecia que não havia nada. Subi no parapeito. Isso me fazia bem. O que eu estava fazendo, afinal? Uma voz na minha mente dizia que aquilo era o certo a se fazer. O vento me curava.
Então, não havia mais nada sob meus pés. Eu estava caindo e não sentia coisa alguma ao meu redor. Só o doce abraço do vento me carregando para a vastidão da noite.


Ann Riddle and Pulp Girl

2011/04/24

Esqueça ou lembre-se






















Esqueçam as borboletas...pelo menos por algum tempo.
Não sabe o que é partir o coração de uma mulher.
Posso estar exagerando,mas estou colocando meu coração sobre a mesa.
Ele te oferece uma bandeija cheia de felicidade,ou pelo menos você pensa que pode ser a sua felicidade...
OU TALVEZ NÃO.
Talvez não seja o momento certo,talvez em um futuro um pouco mais a frente.
Talvez,por que eu rezo.
Por um minuto,uma frase saíu de minha boca:''Não sei se acredito mais em magia"
Isto já foi uma concordância,mas pura besteira.Não sei nem mais o que estou dizendo.
Você começa a pensar que não foi boa o suficiente,que nunca vai fazer nada direito.
Não quero saber de quem foi a culpa.
Não questionarei mais motivos.
Pelo menos por enquanto[...]
Se quiser me explicar,estarei aqui.
Meu corpo,minha alma e minha mente,estão fracos.
As lágrimas são quentes e frias ao mesmo tempo.
Não quero que você chore,eu já fiz isso por nós dois.
Mas se quiser chorar,tudo bem,somos humanos.
Quero vê-lo feliz,e sei que me quer feliz,você já me disse isso.
O que custa se dar a chance,ou até mesmo a felicidade?
A vida é uma dança.
Você e eu fazemos parte dela.
Não vou me queixar de novo.
Chorar?Talvez.
Sinto uma vontade imensurável em faze-lo.
Lembre-se da minha borboleta,ela ainda passa em frente a lua,só que não a vi essa semana.
O que vi,foi apenas chuva,e por trás da janela embaçada,ví um vestígio de imagem,talvez,seja a minha borboleta me procurando,pois se perdeu da lua.
Mas um dia,ela volta e talvez,traga a minha felicidade e algo a mais de volta pra mim.
Só sou uma mulher pedindo para ser amada.
Nunca se sabe.



Lillies.





2011/04/21

Borboletas


Escovava delicadamente cada mecha de meu cabelo em frente ao espelho esta manhã.
Uma sensação de ansiedade e desespero me tomava por inteira.
Imagens vinham o tempo inteiro a minha mente.O que está acontecendo!?
Será que...não!Não e não!!
A luz forte do sol de início de tarde invadia o meu quarto,fazendo-o se tornar mais quente que o normal.
Ou será que era eu que estava muito quente?
Esta parte não me interessava,eu precisava dele.Sentir novamente tudo que senti anteriormente.As mãos fortes e gentis ao mesmo tempo, entrelaçadas às minhas e depois, fazendo-me beija-lo inconscientemente.

Malditas borboletas!

Por quê estavam em meu estômago?
''Já sei! Vou dormir,talvez assim,minha mente e meu estômago se aquietem por alguns instantes''
E quem disse que isso funcionou?
Nem ao menos consegui pegar no sono.
Já era noite, depois de ter delirado tantas horas,fui até minha varanda e sentei-me na rede.
Com o balançar,deparei-me com o brilho da lua.Parecia que ela me cumprimentava como de costume,mas senti uma alegria imensurável vindo dela,como se ela quisesse me dar um beijo no rosto.
Uma vez soube que ao você conversar com a lua por cinco minutos,era um feitiço de amor,mas isso só as bruxas sabem.
Ri baixinho por um minuto.
Outra lembrança me veio a tona,mas essa é somente minha.Aliás todas elas são minhas,nem sei mais com quem eu estou falando afinal.
A risada das crianças que corriam na rua lá embaixo, me fazia despertar o sentimento de felicidade.
Uma lágrima caiu pelo meu rosto e com ela um sorriso se espalhava de lado a lado de minha face.
Naquela noite de início de inverno,uma borboleta passou em frente a lua gigantesca.
Sim era a minha felicidade.
Me corrija se eu estiver errada.

Lillies




2011/04/20

Fita Vermelha

A noite foi longa. Vi muita gente, todas as etnias, todos os tamanhos e todas as formas. Meus olhos escaneiam todos os ambientes procurando uma prova para a última centelha de esperança que me restava. Tudo em vão. Acho que no fundo eu sempre soube disso, mas não quis admitir nem para mim mesmo. Eu reconheço que em meio a todos aqueles corpos em perda total existisse o seu para assinar o atestado de insanidade do meu coração. Havia um resquício de esperança me dizia que seus pais haviam mudado de ideia no último momento. Que eles se dariam conta do quanto Londrina é longe de Florianópolis. Mas a certeza de que isso não acontecera era esmagadora.
Não entendi sua postura, você é maior de idade, por que não ficar? Quer saber?! Cansei. Liguei o f*da-se. Vou curtir minha fossa.

Eram Quase 3hs da manhã. Ela devia estar no caminho de casa nesse momento. Eles sempre saiam a esse horário do El Divino.

Destranquei a porta e chutei algo no caminho até o interruptor. Vi que era uma carta dele. Droga, ele a conhecia tão bem que sabia da sua curiosidade sem limites.
Querida Anne,
Sei o quanto você deve estar brava comigo agora, mas não se esqueça que eu te amo. Preciso que vá até o endereço que está anexado às chaves e pegue algo que deixei lá para você. Não lhe entreguei antes pois não consegui fazê-lo.
Com amor, Henry
O desgraçado realmente a conhecia. Odiei-me por ser tão curiosa. E mais ainda por não conseguir resistir. Havia um endereço e haviam chaves. Peguei o carro e fui. Dirigi tão rápido que nem ao menos me lembro de como cheguei.

Ouvi a porta sendo destrancada. Meu coração acelerou tanto que até hoje não sei como não enfartei naquele segundo.


Uma caixa?! Era tudo que ele havia deixado a ela? Preferiria ter sido esquecida. Bem, já que estamos aqui.
[...]
Ela finalmente entendera tudo. Ele não entregou o presente simplesmente por ser fisicamente impossível. Era o melhor presente o qual ele poderia ter lhe dado: ele mesmo.


Mas o que é isso? Estou bêbada?
Não, você está absolutamente sã.
Ah, então eu estou sonhando.
Errou de novo.
Então por que você está só com esta fita vermelha no quadril?
É o meu presente para você.
[...]






Pulp Girl

2011/04/13

Cetim


O barulho das rodas da carruagem refletia sobre as pedras daquele vilarejo sombrio.
Estava frio,a lua era gigantesca em meio a um céu limpo e sem estrelas.A carruagem negra para em frente ao Cabarett da cidade.
O cocheiro abre a porta para o rapaz cheio de juventude.Seus vinte anos de idade lhe faziam muito bem.
Entra.
Retira sua cartola e para para analisar o lugar.Não era exatamente o que procurava,pois desejava algo mais,mas iria servir.
Uma música animada tocava ao fundo,com as dançarinas balançando suas saias freneticamene para chamar a maior atenção possível, dos cavalheiros recém chegados.
O local não estava muito lotado,mas era suficiente para manter todas as vinte dançarinas ocupadas pelo resto da noite.
O rapaz senta-se ao canto do salão,como gostava de fazer para manter a discrição,já que sua pele branca reluzia contra a luz, e seus olhos azuis eram capazes de fazer qualquer pessoa perder a atenção,nem que fosse por um segundo.
O garçom vem servi-lhe o melhor uísque quinze anos.Depois de beber duas doses,ele se levanta, cansado da gritaria estérica das dançarinas que agradavam os homens na mesa ao lado.
Vai até os fundos do bar,que era encoberto por várias camadas de cortina de cetim vermelha.
Gostava de vermelho.
Lembrava-lhe sangue.
Mas algo atraiu sua atenção de uma forma maior do que as cortinas de cetim.
Ela era linda.
Sua pele era tão branca quanto a dele,os olhos pareciam duas esmeraldas que cintilavam com a maior magnitude que ele já vira na vida.
Terminava de se maquiar,trajava um vestido branco,bem diferente das demais.Não era tão decotado como os das outras,mas era extremamente sensual,justo,com uma abertura na linha da sua coxa até os pés.
Ela parou para olhar para ele,e em seguida,desviou os olhos e não disse nada.
Ele também não disse nada, mas não tirava os olhos diante de tamanha beleza.
Ele se aproximou.Ficou atrás dela,fitando-a.
Por fim,ela quebrou o silêncio:
-O que deseja?-Sua voz era delicada e com uma sonoridade impecável.
Ele abriu um sorriso malicioso,e muito gentil ao mesmo tempo:
-Eu trato muito bem as damas que conheço,você é realmente encantadora,gostaria de me fazer companhia esta noite?
-Não faço esse tipo de trabalho.-Ela disse sem olhar para ele novamente,séria.
-Assim você está sendo indelicada.Não estou pedindo-lhe para fazer o que suas colegas fazem na sala ao lado.
Ela seu uma risada baixa
-Qual é a graça?
Ela se levanda e se aproxima o suficiente para sussurar em seu ouvido:
-Venha.
Puxa-o pela mão e vão para a sala ao lado,onde havia uma cama espaçosa.
Ele começa despi-la puxando os cordões das costas do seu vestido,enquando entram em um beijo ardente.
Enquanto beija-a desce sua boca ao pescoço macio da garota.De repente para.
-Isso vai ser divertido.-Os olhos dele se injetaram de sangue,e pela sua boca entre aberta,notava-se seus dentes mais pontiagudos próximos a veia pulsante da jovem.-Ele pensou que ela desmaiaria de medo ou que gritasse,mas tudo parou.
Seus olhos verdes também ficaram injetados por sangue,e sua boca vermelha se contorceu.
-Sim,vai ser divertido.
Na manhã seguinte,uma aglomeração de pessoas se encontrava na frente do cabarett,que estava cercado pela polícia local.
Um andarilho que passava entre a multidão,cutuca o jovem que estava acopanhado pela garota angelical.
-Com licença caro rapaz,pode me dizer o que aconteceu aqui?
-Aparentemente houve um brutal assassinato neste local na noite passada.Todos que frequentavam o salão,morreram estraçalhados meu senhor.
-Por Deus! Mas quem poderia fazer algo do gênero?
-É isto que a polícia está tentando descobrir-Disse agarota gentilmente.
Mas algo fez o velho termer da cabeça aos pés ao notar a estranha perfeição do casal.
Com medo,vagarosamente se afasta e vai em direção ao centro da cidade.
As ruas pareciam cada vez mais desertas e o medo continuava a persegui-lo,sua respiração aumentava a cada passada,e então viu-se em uma rua sem saída.
Ele estava virado de costas para o início da rua tateando a parede fria.
Em um movimento se vira, e vê a gentil garota muito próxima de seu rosto,sorrindo maliciosamente,enquanto seu amado segura os ombros do andarilho.
O jovem, diz ao pé do ouvido do homem que parecia uma estátua:
-Pois bem,agora o senhor vai ter as respostas que tanto almeja.
O por-do-sol começava a rasgar, igualmente a pele de seu pescoço.

lillies








2011/04/12

A luz azul sobre seu ombro

Para todos aqueles que eternamente lembrarei, mas que certamente partirão.

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?”
Olavo Bilac –

Hoje, abro precedentes para dizer adeus. ADEUS com todas as letras e com significado mais puramente denotativo que já foi escrito ou falado. Mesmo que isso me arranque o pranto, faça-me doer o coração. Porque eu nunca disse adeus, mesmo sabendo que reencontros verdadeiros não existem.

Amanhã acordarei com olhos inchados, a cabeça dolorida. Unirei suas lembranças numa imagem mental quase tangível que me motivará pelo resto do dia. Uma esperança ficcional do retorno. As palavras virão me cercando. Aquelas palavras não-ditas na quietude da noite, na mesa do bar. Num intervalo, no umbral de uma porta.

Para todos aqueles que foram meus mestres sem ministrar lições. Por aquele olhar que me desnuda a alma a ponto de me enrubescer e logo depois grita “Vá em frente, você tem potencial”.

E daqui a alguns anos, poderemos nos encontrar na Elm Street, na Paulista, ou na Beiramar de qualquer canto. Contudo, apenas sorriremos em meio a um “Quanto tempo!” polido enquanto seu pensamento procurará uma desculpa para uma pressa súbita. Nós não somos mais os mesmos. Você tem outra vida, e eu tenho as mesmas lembranças. Ainda assim, trocaremos aquele olhar cheio de coisas não-ditas e que jamais serão ditas. E por dentro meu coração estará aos saltos e minha mente procurando as palavras tantas vezes ensaiadas, não para o possível reencontro. Ensaiadas desde o início para o momento passado em que estaríamos contornando determinados caminhos, que, de certa forma contornamos, porém em silêncio.

São coisas, que mesmo com você por perto, 
não puderam ser traduzidas em palavras. Pelo menos não nas palavras corretas.

As memórias boas permaneceram e conforme as águas do tempo lavarem as memórias desagradáveis, você fará parte da parte de mim que procurarei eternamente. Pois nunca aprenderei a lição que não deve ser dita em palavras: nossos mestres sempre nos deixarão.

2011/04/07

Esclarecimentos

Olá,
Aqui estou eu novamente (:
Vim esclarecer algumas coisas antes que surjam dúvidas:

  • Sim, posto muitos contos, crônicas e narrativas em geral. Todos eles são de minha autoria, se não o forem estarão com os devidos créditos ;)
  • Os personagens das narrativas não são reais. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. 
  • Caso se identifique de alguma maneira com qualquer um dos posts, mesmo os que não são meus, comente, isso facilita o nosso trabalho e também nos motiva :D
  • Tem algum tema para um post? Seja ele uma narrativa ou o que for estaremos abertas para acolhe-lo
  • Críticas? Se for construtiva teremos o maior prazer em lê-las e discutir sobre elas para melhorar o blog :)
  • Suas dúvidas ainda não foram sanadas? Comente aqui que responderemos abaixo da sua dúvida com outro comentário :3


Thanks a lot :D
Marshmallows, Lillie, Pulp Girl

Faminta

Era a terceira vez na semana a qual não havia terminado ainda. O sonho a perseguia, não importava a cama na qual dormisse. Mesmo se não o fizesse a imagem continuava em sua mente: um par de olhos castanhos cor de caramelo, a boca inchada cheia de desejo, procurando o que sentia na boca próxima. Inspiração e expiração dificultadas pela falta de fôlego que o exercício proporcionava. Shakespeare era muito sábio ao dizer que todas as noites são de sonho, mas mais ainda ao constatar os sonhados acordados. E às vezes o que era real parecia sonho, de tamanho o desejo transbordando. Não era apenas carnal. era canibal e talvez até anti-constitucional. A boca de desejos achou o que procurava.




Pulp Girl

2011/04/03

Azul gélido e quente


Ela pensava incessantemente,andando de um lado para outro,quase desgastando a sola do sapato:
"Acho que estou com arritmia cardíaca."
"Não,não estou doente."
"Minha saúde está perfeita.Então qual é o problema?"
"Uma única palavra em forma interrogativa ronda a minha cabeça sem parar:Será!?"
"Dormi pessimamente esta noite.Mas não foi porque tive pesadelos ou algo do gênero."
"Digamos que algo está começando a tirar meu sono..."
"AH,droga!"
"Não,não!Isso não pode acontecer!"
"Ou será que pode?"
"Parece ser tão perfeito,tudo que eu pedi durante um período da minha vida.Eu só não quero sofrer novamente...eu já sofri tanto..."
"Mas tem algo que paira nesse ar que metabolizo,que me deixa intrigada."
"Eu SINTO, que não vou sofrer."
"Ele não seria capaz disso."
"Então por que esse medo tolo sua covarde?!"
"Não sou covarde!"
"Então pare e pense!"
A menina em seguida tira os sapatos,e com tudo,se atira sobre a cama.
"Não consigo pegar no sono,que inferno!"
"Por quê não nasci homem? Seria tão mais fácil"
"Sofreria do mesmo jeito sua tonta!"
"Vou parar de discutir com você.Já basta"
Na manhã seguinte,a garota de calelos loiros compridos,decide ir até a praia.
O cheiro da salinidade limpava sua alma.O vento acariciava seu rosto,como o carinho de uma mãe por uma filha.
Uma lágrima solitária,cai pelo seu rosto de porcelana.
Ela estava solitária.Não digo pelo fato da praia estar literalmente deserta.Não podia contar com niguém,nem com seus pais ou com suas melhores amigas.
"Dane-se"
Estava relativamente frio,em um dia inicial de outono,mas ela não se importava.Tirou a calça Jeans e o suéter verde,e pulou no mar grosso.
Tarde demais.A água estava congelante.Sentiu seu corpo enrigecer.

"Então..."


"A morte é assim afinal?Rápida?"

A água gelada,que de início era transparente,escureceu,e depois disso ela não viu absolutamente mais nada.
Parecia ter passado um bom tempo naquele estado.
Mas abriu os olhos e em seguida,tirou toda a água que estava em seu pulmão.
Seu queixo batia freneticamente,parecia que a qualquer momento iria quebrar.
Sentiu que estava recebendo uma pequena quantidade de calor e em seguida,um aperto suave contra seu corpo gélido.
Um toque suave veio à sua testa.
"Quem será!?A morte não deve ser tão gentil a ponto de me carregar no colo.E muito menos quente."
Aos poucos,ela conseguiu erguer a cabeça.
E lá estavam o par de olhos azuis,que nem um Deus poderia possuir,tiravam seu sono,e que iriam aqueçe-la todos os dias...
Pelo menos até ela ficar fria novamente.




2011/04/01

Pedestre

Oito horas da manhã, estava indo trabalhar e havia acabado de deixar o carro no estacionamento mais próximo ao escritório. A sinaleira fechou e comecei a atravessar a rua. Pensei em todas as coisas que tinha para fazer quando chegasse em minha sala, todos os relatórios para terminar e todos os cafézinhos que teria de tomar para aguentar o meu chefe e me aguentar de pé.
Quando estava no meio da rua percebi que, apesar de ver o prédio do escritório logo à frente, não iria chagar lá tão cedo. Um motorista, provavelmente estressado e atrasado, avançou a sinaleira e me atropelou. Passou por cima de mim e continuou seu caminho. Quebrei a perna, e quando o motorista foi interrogado sobre a razão do atropelamento o sujeito falou que eu estava atravessando muito devagar e que só queria me dar um susto.
A única coisa que consegui pensar após ouvir isso foi que antes de ser motorista, ele é pedestre.


Pulp Girl

2011/03/26

Bichos Papões


Revoltam-me essas pessoas que mal chegam aos trinta (quando chegam) e já estão lamentando o que as "outras gerações" fizeram com o mundo. Grandes bichos papões ultrapassados que acham que caretas de reprovação e o bater de uma porta vão afugentar as crianças, fazendo brotar um pouco de respeito. Esse "respeito" foi perdido quando vocês deixaram o quarto bagunçado e correram para dentro do armário, cataram seus pedaços de plástico e passaram a desprezar, xingar e tripudiar tudo o que foi criado depois de vocês. Desculpe-nos se não estamos consertando o mundo direito, mas ninguém nos ensinou como fazer.

Constrange-me essa geração que julga os outros pelas músicas que ouvem, pelos filmes que assitem ou pelas roupas que usam. Nunca pelo que têm a dizer ou pelos seus gestos. Nunca perdem mais de cinco minutos a observar-nos. Sinto muito por ter compactuado com os bichos papões pela mínima vez que seja. Arrependo-me se alguma vez ostentei esse sorriso prepotente frente a qualquer criança. Orgulho-me sim de toda e qualquer influência que Peter Pan faz por aqui.

Envergonho-me por toda a generalização ao meu redor, pela redução, pelo subjulgamento. Pela não crença nas gerações que virão. Tenho pena desses desacreditados que morrerão achando que o mundo estava perdido porque não é mais o mesmo de quando nasceram. Papões que temem ver o mundo, espalhando más notícias, sem nunca ter de fato aberto os olhos para vê-las acontecendo. Culpam-nos ou os culpam por não fazer revoluções e não bater as panelas que escoderam. 

Por que não param de procurar razões para nos dividir em fases ou gerações? Um número no RG não vai determinar se o seu conhecimento é suficiente ou não para tomar partido  em uma batalha. Considerar-se absoluto, sentar, comparar e reclamar é fácil. Ser criança não é fácil.  Crescer é uma merda, infelizmente todos sabemos. Mas crescer e se esconder é pior ainda. 


2011/03/11

"No more Rachel" ou Bipolaridade Tripartida

Eu deveria ter vergonha disso, mas quer saber? Não tenho. Artistas plásticos expõe xeróx da bunda e usam literatura vitoriana pra conceituar. Acho feio, e daí? Eu tenho pensamentos, tenho um teclado (apesar de ainda preferir papel e caneta), então devo escrever. Mesmo que as palavras sejam tão ruins que indignas de salvação, que partam das minhas mãos com destino certo para as chamas da lareira, não importa. É um maldito desejo por não-atenção que conduz esses pensamentos para fora de seu receptáculo perfeito - e conduz muito mal, obrigada. Nessa cena caoticamente quase imprestável surgiu Rachel. 

Não, mentira. Eu sonhei com ela. Não sei o que havia comido que me fez sonhar com ela caindo do avião. Era uma forma tão ridícula de morrer - e não me perdoem pela indelicadeza - que eu precisei escrever sobre isso. Se o sonho tivesse acontecido alguns meses depois entraria em outra história, viraria roteiro de gaveta. Pobre Rachelque caiu do avião sobre meu travesseiro numa noite que precedeu o dia em que eu estava inspirada. Ganhou 57 páginas (preguiçosas, de 1.5 entrelinhas) de loucura. Ganhou uma irmã caçula maluca e rabugenta, um quase marido propenso a ter um enfarte daqui a 10 segundos, e um cunhado que todas desejam à Afrodite. E perdeu o papel principal.  

O que eu ganhei? Terminei alguma coisa. Fechei mais um ciclo. Fiz tudo de forma objetiva, como eu não costumo fazer.  Isso é muito mais do que eu estou acostumada. E ainda vou ter o que ler no final do ano, quando tudo estiver cinza e desanimado e eu quiser ter minha crise narcisista. Também é um incentivo, não só para mim; mas a todas as minhas amigas que me incentivaram (na verdade que nos inventivamos juntas) a escrever para nós mesmas.

Escrever não é uma escolha. Até essas palavras esquizofrênicas, bagunçadas têm um objetivo. Quando eu não escrevo, sinto como se fosse perder a lembrança daquela momento em que não deixei minha impressão sobre o mundo. As palavras me fazem sentir o mesmo vento no cabelo do final do outono de 2007. O  passeio no verão de 1994 (que foi remetido graças ao balanço no verão de 2002).  Está tudo diluido por aí, quando releio tudo vou apenas juntando as peças. Talvez um dia eu ponha um vidro sobre elas e exponha. Talvez um dia.

Se algum dia bater o tédio, complementem-no: 
Being Rachel in FictionPress.com



2011/03/07

Para além da segunda lua

Gostaria de pensar, se existe ou não, um refúgio desse mundo para o outro.Se existisse uma porta, a qual pudéssemos abrir, e, de repente um clarão imenso surgisse,e eu sentiria a grama úmida sob meus pés e o vento afagando meu rosto delicadamente.
Mas parece que falta alguma coisa...
Seguro a barra do meu longo vestido branco de seda, caminho em direção ao topo da colina tão verde,e finalmente, encontrei o que tanto procurava.
Lá estavam elas, as duas luas brancas.De tamanhos tão distintos,como se diferisse um pequeno ratinho de um elefante.
Eu precisava provar que havia conseguido chegar à aquele lugar.
Mas como?
Havia recebido tantas críticas negativas,sobre o que eu deveria ter feito ou escolhido em minha vida, que acabei não fazendo nada do que gostava,graças a maldita opinião alheia.
E agora eu tinha a oportunidade de levar algo daquele lugar celestial,para provar que fiz algo além, que um simples humano poderia fazer.
Mas o que eu poderia levar dali?
Não havia mais nada,além da colina das duas luas brancas.
Caminhei em direção a primeira lua, e enquanto isso, o silêncio me fazia companhia.
Quando fiquei à frente da grande lua, estiquei meus dedos para tocá-la,mas algo me repeliu.
Fiquei inerte durante um tempo, pensando o por que, disso ter acontecido.
Um sorriso surge no canto de meus lábios.Como eu não havia pensado nisso antes?
Eu não poderia levar uma coisa tão grande deste lugar para o meu mundo.
Dei meia volta e segui para a segunda lua.
Ela era tão pequena,e parecia tão frágil ao mesmo tempo...estiquei meus dedos e consegui pegar pequena bolinha em minhas mãos.
Ela era resistente,feita de um material mais duro que pedra.Flutuva em minhas mãos igual a uma pluma, enquanto eu caminhava em direção a porta que havia me levado para aquele lugar.
Girei a maçaneta,e depois disso não vi mais nada.Tudo se empreteceu.
Coloquei a mão em minha testa, pingava de tanto suor,e senti as cobertas enroladas em meu corpo que estava extasiado.
Teria sido somente um sonho afinal?
Uma sensação de fragilidade me veio à tona.Eu estava tão perto de trazer aquela lua para este mundo.
Olhei no relógio e eram três horas da manhã.Levantei da cama, bebi um copo d'água e fui em direção varanda.
A noite estava perfeita.Não tinha vento, o céu estava muito limpo, a lua estava enorme e muito branca.
Uma lágrima caiu pelo meu rosto,pensando em todo a tristeza que pairava sobre a minha vida.Eu só queria provar que era diferente de todos os outros simples humanos, que eu tinha algum poder dentro de mim,pois para trazer aquela pequena lua,teria de ter algo muito especial em meu coração e na minha alma. A lágrima caiu sobre minha mão direita,que estava apoiada na mureta da varanda.
Um brilho incandescente surgiu na palma de minha mão,virei minha palma para cima, e ali estava ela...
Pequena e frágil,como na colina onde eu estive.
Corri para dentro de casa e aflita chamei minha mãe.Eu precisava mostrar o que tinha de tão especial em mim.
Minha mãe acordou assustada com a minha aflição:
-O que foi minha filha?
-Veja o que tenho em minhas mãos, mãe!Uma pequena lua!-Ela olhou fixamente para as minhas mãos, e franziu a sobrancelha:
-Minha filha, volte a dormir...você está sonhando.-Deitou a cabeça em seu travesseiro e não disse mais nada.
Mas será que ela estava cega???
Uma lua flutuava em minhas mãos e ela me disse para voltar a dormir?
Voltei em direção a varanda e fiquei estática.
Uma figura estava sentada no balanço da varanda.
Era um homem absurdamente bonito,loiro e alto,vestido com roupas brancas.
Seria um anjo?Ou a morte querendo me levar?
O homem volitou até mim, retirou a lua de minhas mãos e transferiu-a para dentro de meu coração.
Senti um alívio absurdo em meu interior.
Ele sorriu e disse ao pé do meu ouvido:
-Você é diferente, de uma forma que os outros, não terão a capacidade de lhe compreender.
-Isto significa que não sou humana?
-Significa que você é igual a mim.
-E o que você é?-Fiquei perplexa,não entendia o que estava acontecendo.
O homem perfeito me beijou no rosto e em seguida, desapareceu.
Não consegui dormir novamente,fiquei sentada no balanço,vagando em pensamentos.
Pela manhã,fui a padaria,escolhi o pão e fui pagar no caixa.Abri minha carteira, e como sempre,desastrada, derubei moedas no chão.Baixei para pegá-las e vejo outra pessoa me ajudando a catá-las no chão.
-Isso sempre acontece comigo.-Eu disse sem olhar para a pessoa.
-Comigo também,você nem imagina-Fiquei estática,ao escutar aquela voz(eu só poderia estar ficando louca)e levantei a cabeça para olhar.Ali estava ele, o homem que colocou a lua em meu coração.
-Você está bem?-Ele me perguntou.
-Já nos conhecemos?
-Acho que não.-Ele me olhou intrigado -Por quê?
-Você não me é estranho - Balancei a cabeça e sorri.
-Cheguei ontem na cidade, não conheço ninguém ainda,mas você também não me é estranha.
Caminhamos em direção a rua, sem dizer uma plavra depois disso.
Estava perplexa e corada também.
E um movimento brusco ele segurou meus ombros e me olhou assustado.
-O...o..o que houve?-Perguntei nervosa.
E nesse momento fiquei sem fala,aquele brilho da pequena lua, estava em seu coração também...
-Que brilho é esse dentro de você?-Ele me questionou
-É...é..o mesmo que tem dentro de você...-Disse eu entre lábios.



Bem, entenda como quiser.



Lillies

2011/03/04

Confettis Vernales

Balões não são confetes pois não são feitos de açúcar nem de papel.
Duas horas.
O ritmo do trabalho vai diminuindo, as pessoas vão saindo cedo, muitos cumprimentos... Tudo  indica que não falta muito agora para um delicioso, longo e tranquilo feriado. Mas você ainda tem trabalho e não quer ir para casa pensando nas pendências, você quer ir para casa curtir o feriado. Então, nesse momento você precisa dedicar-se completamente a suas tarefas; não planejar o feriado. Você tem tudo nas suas mãos (um computador?!) para livrar sua consciência de um peso desnecessário por quatro dias, e o mínimo que você pode fazer é se concentrar. Simples, não?

Não.  


Uma hora.
A folia começa em pontos dispersos e cores diversas. Poesia. Gradativamente as ruas vão se enchendo de felizes desempregados ou muito bem empregados, estudantes e famílias em folga. Batuques e sons e vozes ao longe compõe um cântico hipnótico que lhe encaminha para outro problema que não aquele piscando no seu monitor: como passar por toda essa gente para chegar em casa? Você recorda outras ocasiões nada agradáveis em que teve de passar pelo meio do amontoado de gente que insiste em encontrar a felicidade num grande mar de possibilidades causais casuais. 

Meia hora.
O monitor já entrou em espera. E você também. Já desistiu da idéia de ter um feriadão saudável e vai se encher de álcool para não pensar em todo o trabalho que estará por fazer a partir do momento em que as faxineiras lhe expulsarem do escritório. Ainda há uma esperança, no entanto! Quente e úmida vem a chuva através de interjeições negativas de seus colegas. Por baixo da mesa você ensaia um gesto de comemoração. A chuva vai mandar aquele povo todo para casa.Finalmente você vai poder com a previsão de paz.

Puta que me pariu, está chovendo! 


É claro que está chovendo. Você lavou roupa, deixou o carro na oficina,  veio com sapato aberto e tirou a sombrinha da bolsa. Você vai se molhar. Suas roupas vão precisar ir para trás da geladeira, porque vai chover por todos os quatro dias de feriado. Sem nenhuma possibilidade de sol, você não vai mais para a praia durante o feriado. Mudança de planos, agora vai ser de filmes para relaxar, mas quais? Google. 

18h55
Todos já foram embora na sua sala. Um último perdido lhe pergunta se vai dormir no escritório, educadamente você o responde que está esperando a chuva estiar. Está? Lá fora não há mais barulho, nem água, nem gente. Só um burburinho vindo das paredes do escritório que vai aumentando. Você olha para fora, olha para o monitor, fora, monitor, fora, monitor, fora, porta. Porta(!) Está logo ali, parada com o esfregão na mão e o rostos desafiador de quem está fazendo maior sacrifício do que você. 

18h58
Você desliga o computador com pesar, consciente de que os arquivos vão ficar anexados em suas artérias, acumulando-se para um dia - talvez próximo, talvez longíquo - transformarem-se num enfarto fulminante. A faxineira lhe cumprimenta com um aceno de cabeça, você corresponde. No segundo em que vocês trocam olhares, você se põe no lugar dela. E a sexta-feira dela estava só começando.

19h00
Então você sai para a rua e a chuva deu uma trégua. Mas fez bem seu trabalho, cores diversas sobem a rua fazendo o caminho de volta para casa. Vozes silenciaram. Batuques ficaram suaves e o cântico cessou. Resta o cheiro de cerveja choca misturado ao suor de quem saiu do trabalho no meio da chuva e meia dúzia de tules e crianças teimosas com fantasias vergonhosamente apertadas. Sim, eles tiveram uns bons trinta minutos de folia. Podem ir pra casa, quem sabe amanhã eu me junte a vocês.

Como me tornei uma "Wolverina", por assim dizer.

Sabe como é, eu entrei num táxi mancando e pedi pra ele me levar ao hospital, achei que tinha quebrado a perna, tudo normal até chegar lá. Paguei o taxista e quando entrei no hospital estava tudo vazio, aparentemente já haviam atendido todas as urgências. O enfermeiro me levou para a sala de raio X numa cadeira de rodas para poupar a minha perna. Me colocaram na sala e depois de todo o processo me levaram a outra sala para reposicionar a perna corretamente. O único problema é que logo que deitei na maca o médico apertou um botão para descer um número absurdo de agulhas (não me pergunte de onde o governo tirou dinheiro para tantas agulhas se, tecnicamente, não tem dinheiro nem para melhorar o atendimento nos hospitais) na minha direção, aí, tarde demais, descobri que estava totalmente presa à maca. Foi como se milhares de vespas me aferroassem ao mesmo tempo e por um segundo a dor parou e tudo tinha acabado, mas eu não estava mais na sala. Estava agora de volta ao táxi e aparentemente nada havia mudado.
Cheguei em casa achando que nada daquilo passava de um sonho estúpido, inclusive a parte da perna quebrada. Como eu estava errada.
Recebi uma mensagem de texto do meu ex-namorado me convidando pra festa de noivado dele com a minha ex-melhor amiga. Não precisarei descrever a raiva que tomou conta de mim. Mas maior foi a surpresa de ver que simplesmente três garras de metal, que por algum motivo não explicável eu sabia que se chamava adamantium, rasgavam a pele entre os ossos dos meus dedos sem fazer barulho ou causar dor. Fiquei admirando aquelas "garras" durante alguns minutos, até ouvir um murro na minha porta quase quebrando-a no meio...

Acordei na fila do hospital com um baque ensurdecedor de uma senhora com seus 50 anos caindo no chão, com a minha perna ainda quebrada e meus quadrinhos do X-Men para me fazer companhia.


Pulp Girl (f)

Cartas a Estranhos

Será que não é mais fácil dizer a verdade desde o início?! Isso poupa não só corações partidos como também copos, pratos e alguns ossos seus. Pois é, estou realmente com raiva, mas melhor que quebrar corações eu sou realista e verdadeira. Em nenhum momento o que eu te disse foi falso. Ao pensar em todas as mentiras que você me disse eu choro de raiva, não só por mim, mas por todas as outras que você partiu o coração. Não sei se você lembra, mas foi você quem começou tudo isso, dizendo que estava apaixonado por mim e tudo mais. Foi só depois de você me dizer tudo isso que eu percebi que estava apaixonada.
Eu não só te disse isso como também acreditei no que você falou, mas, e agora, será que tudo isso pelo menos algum dia foi verdadeiro??
Muitíssimo obrigada por ser mais um merda na minha vida. (:

Pulp Girl (f)

Hello Strange (:

Olá pessoas,
Vim aqui me apresentar pois a partir de hoje estarei postando nesse blog junto com a Lillies e com a Marshmallows.
Pra começar ficarei conhecida como the Pulp Girl (a garota de celulose) pelas minhas postagens. Eu sei que esse post é super didático, mas é necessário agora nesta ocasião. Espero que gostem do que escreverei, que é, basicamente, o que sai da minha cabeça na hora ou um pouco antes.
xoxo

Pulp Girl (f)

2011/02/27

"Cadernos de Manuela"

O som ritmado das rodas do ônibus deslizando no asfalto seco me devolve lembranças de todas as vezes que fiz aquele caminho. Sobre todas as circunstâncias e sentimentos, as que prevalescem são lembranças de quando não tinha capacidade de perceber o efeito do tempo. Uma criança perdida nas ilusões da suposta eterna espera de crescer. Só agora me dou conta de que era feliz com minha pouca idade. Mesmo sem ter as bonecas mais humanas, tinha amigos mais leais, ideais mais absolutos e um universo muito maior a ser explorado. Falta-me a inocência daqueles dias. Não a inocência ardil das brincadeiras, mas a inocência decorrente da ignorância. Eu tinha um universo muito maior e era feliz poirque não fazia idéia do que havia nele.

Singularmente, sei o exato momento em que tal ignorância se foi. Eu estava cercada por toda a família em um rito vivido todos os anos na mesma data. Conforme o canto que entoavam ganhava mais vigor, explodia a bolha da inocência que outrora me cercou.  De súbito, senti o que se passava ao meu redor; ondas de frio e calor que culminavam em lágrimas e risos. Passaram-se anos e não me acostumei com essa invasão diária. Todos os dias, em segredo, peço que minha bolha nasça de novo. 

O vento que penetra minha pele não leva embora meus anseios como dizem as baladas do campo. Ao contrário, ele me fere com as adagas do sobejo. Há muitos ciclos que venho fechando com farpas que em instantes como esse vêm me ferir. Os assuntos que pendem, ganham asas, chifres, caudas e olhares furiosos para virem cobrar de mim uma resolução. No entanto, eu os acalento entre meus braços, pois temo findar todos os laços e perder a ponta. Não ter mais como voltar. Temo não poder encontrar aquele instante no meio estrada.  

Hoje o inverno se abateu sobre o litoral. Sem convites, sem anúncios. Chegou trazendo aquela dor em meu peito que prenuncia transformação. Um ciclo se encerrou com o cortejo do vento sul e pesadas nuvens que, fortes, refreavam as gotas do melancólico choro da despedida. Quando Lillies silenciosamente se deita em meu ombro, uma certeza recai sobre mim: é tempo de não mais crer na premissa de que adeus significa até logo.


2011/02/24

Umidade relativa do globo ocular

Sabe,muitas vezes,quando me olho no espelho,e vejo aquela menininha sonhadora, que gostava de brincar de boneca, enquanto conversava com seu amigo imaginário sorrindo sobre todas as coisas,sem pensar no amanhã.
Ah,saudades desses tempos.Mas quando pego-me olhando para trás, e vejo esse meu reflexo,e automaticamente, volto para o presente.

E o que vejo?


Essa menina cresceu, e agora, a imagem contida no espelho é a realidade.
Vejo, um rosto forte de mulher, mas ao mesmo tempo,aquela delicadesa do rosto de menina que certamente,sempre estará contida em mim.
Tantas responsabilidades a zelar, minha vida tendo que tomar o rumo que vou decidir, mas não sei ainda para onde ela vai.

Simplesmente...
não sei.

Hoje,meu coração estava machucado de todas as formas possíveis.
Em certo momento, o cobrador do ônibus,olhou-me rapidamente, provavelmente,assustado com as lágrimas que escorriam por meu rosto.
Talvez, o que eu não havia chorado durante meses, chorei naquele momento...

Incrível como fui discreta!!
Só ele havia percebido,e eu não tinha vontade de que mais ninguém o fizesse.
Não irei declarar aqui os motivos,já que não quero gerar conflitos.

Só me pergunto:
quando vou parar de sofrer dessa maneira?

Talvez você me compreenda,talvez não...
mas eu estou aqui,com ás lágrimas contidas em meus olhos,esperando que elas não caiam novamente...

Ai,droga ...

é tarde demais.


Lillies