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2011/04/28

Ar Fresco

A luz estava piscando. Quem sabe a lâmpada estava morrendo ou apenas com mau contato. Àquela altura do campeonato, aquilo realmente não importava.
Estava deitada por cima da manta que mamãe bordou para mim. Sentimentos à flor da pele. A cama era mesmo um lugar quente para se chorar. Eu havia perdido a noção do tempo. Eu poderia estar ali há minutos, horas, dias... Cada lágrima que escorria por minha face não parecia o suficiente para acabar com aquele vazio, com aquela dor. Sim, vazio. Ele havia ocupado um lugar no meu coração. Eu não imaginava uma vida a não ser com ele.
Então eu estava ali. Havia perdido a sensibilidade do rosto. Não sentia mais as lágrimas rolando e se acumulando no travesseiro. Sentia apenas o meu corpo cansado de sentir dor.
Dois anos e meio. Iríamos fazer dois anos e meio daqui a uma semana. E então, ele foi embora. Um bilhete apenas. Um bilhete se lamentando. Nada mais. Nenhum motivo, nem um até logo. Nada. Esse bilhete ainda pulsava em minha mão, como uma veia aberta e dilacerada. Eu li aquele pedaço de papel tantas vezes que perdi  as contas. Eu decorei cada palavra. E o motivo de tudo aquilo teimava em não se mostrar para mim.
A dor não dava uma trégua sequer. Eu sentia saudade dos beijos dele, da mão na base das minhas costas me puxando para perto. Sentia saudade da boca dele no meu pescoço, sussurrando o quanto me amava. Foram tantas promessas quebradas em segundos. Promessas de amor eterno, de casamento e filhos... Na verdade, essa última foi a única que ele cumpriu. Eu ia dar a notícia quando completássemos dois anos e meio. Mas não houve essa oportunidade.
Eu não poderia criar esse filho sozinha. Eu olharia para uma criança, sem culpa, e a odiaria por tudo que ela me faria lembrar e por tudo que ela representaria. Não, eu não a teria.
Eu estava com fome. Sozinha e casa desde a hora a qual cheguei da casa dele. Eu tinha uma cópia da chave. O bilhete estava na mesa da sala. "Perdoe-me" ainda martela na minha cabeça. Não. Não perdoo. A dor não permite.
O eco de nossas risadas, as imagens de nossos sorrisos bombardeavam minha memória. Nessa hora eu não tinha mais lágrimas nos olhos.
Minha cabeça girava. Devo estar enlouquecendo. Veio-me à cabeça a lembrança de nossa última noite juntos. Teria sido a noite da consumação do bastardo? Parecia ter acontecido à séculos.
Minha cabeça ainda doía. Nem sabia o que estava fazendo. Em um momento estava deitada, no seguinte, abrindo a janela. Me surpreendi ao ver que já havia escurecido. O vento cálido de verão varria para longe toda a minha dor. Por um momento parecia que não havia nada. Subi no parapeito. Isso me fazia bem. O que eu estava fazendo, afinal? Uma voz na minha mente dizia que aquilo era o certo a se fazer. O vento me curava.
Então, não havia mais nada sob meus pés. Eu estava caindo e não sentia coisa alguma ao meu redor. Só o doce abraço do vento me carregando para a vastidão da noite.


Ann Riddle and Pulp Girl

2011/04/24

Esqueça ou lembre-se






















Esqueçam as borboletas...pelo menos por algum tempo.
Não sabe o que é partir o coração de uma mulher.
Posso estar exagerando,mas estou colocando meu coração sobre a mesa.
Ele te oferece uma bandeija cheia de felicidade,ou pelo menos você pensa que pode ser a sua felicidade...
OU TALVEZ NÃO.
Talvez não seja o momento certo,talvez em um futuro um pouco mais a frente.
Talvez,por que eu rezo.
Por um minuto,uma frase saíu de minha boca:''Não sei se acredito mais em magia"
Isto já foi uma concordância,mas pura besteira.Não sei nem mais o que estou dizendo.
Você começa a pensar que não foi boa o suficiente,que nunca vai fazer nada direito.
Não quero saber de quem foi a culpa.
Não questionarei mais motivos.
Pelo menos por enquanto[...]
Se quiser me explicar,estarei aqui.
Meu corpo,minha alma e minha mente,estão fracos.
As lágrimas são quentes e frias ao mesmo tempo.
Não quero que você chore,eu já fiz isso por nós dois.
Mas se quiser chorar,tudo bem,somos humanos.
Quero vê-lo feliz,e sei que me quer feliz,você já me disse isso.
O que custa se dar a chance,ou até mesmo a felicidade?
A vida é uma dança.
Você e eu fazemos parte dela.
Não vou me queixar de novo.
Chorar?Talvez.
Sinto uma vontade imensurável em faze-lo.
Lembre-se da minha borboleta,ela ainda passa em frente a lua,só que não a vi essa semana.
O que vi,foi apenas chuva,e por trás da janela embaçada,ví um vestígio de imagem,talvez,seja a minha borboleta me procurando,pois se perdeu da lua.
Mas um dia,ela volta e talvez,traga a minha felicidade e algo a mais de volta pra mim.
Só sou uma mulher pedindo para ser amada.
Nunca se sabe.



Lillies.





2011/04/21

Borboletas


Escovava delicadamente cada mecha de meu cabelo em frente ao espelho esta manhã.
Uma sensação de ansiedade e desespero me tomava por inteira.
Imagens vinham o tempo inteiro a minha mente.O que está acontecendo!?
Será que...não!Não e não!!
A luz forte do sol de início de tarde invadia o meu quarto,fazendo-o se tornar mais quente que o normal.
Ou será que era eu que estava muito quente?
Esta parte não me interessava,eu precisava dele.Sentir novamente tudo que senti anteriormente.As mãos fortes e gentis ao mesmo tempo, entrelaçadas às minhas e depois, fazendo-me beija-lo inconscientemente.

Malditas borboletas!

Por quê estavam em meu estômago?
''Já sei! Vou dormir,talvez assim,minha mente e meu estômago se aquietem por alguns instantes''
E quem disse que isso funcionou?
Nem ao menos consegui pegar no sono.
Já era noite, depois de ter delirado tantas horas,fui até minha varanda e sentei-me na rede.
Com o balançar,deparei-me com o brilho da lua.Parecia que ela me cumprimentava como de costume,mas senti uma alegria imensurável vindo dela,como se ela quisesse me dar um beijo no rosto.
Uma vez soube que ao você conversar com a lua por cinco minutos,era um feitiço de amor,mas isso só as bruxas sabem.
Ri baixinho por um minuto.
Outra lembrança me veio a tona,mas essa é somente minha.Aliás todas elas são minhas,nem sei mais com quem eu estou falando afinal.
A risada das crianças que corriam na rua lá embaixo, me fazia despertar o sentimento de felicidade.
Uma lágrima caiu pelo meu rosto e com ela um sorriso se espalhava de lado a lado de minha face.
Naquela noite de início de inverno,uma borboleta passou em frente a lua gigantesca.
Sim era a minha felicidade.
Me corrija se eu estiver errada.

Lillies




2011/04/20

Fita Vermelha

A noite foi longa. Vi muita gente, todas as etnias, todos os tamanhos e todas as formas. Meus olhos escaneiam todos os ambientes procurando uma prova para a última centelha de esperança que me restava. Tudo em vão. Acho que no fundo eu sempre soube disso, mas não quis admitir nem para mim mesmo. Eu reconheço que em meio a todos aqueles corpos em perda total existisse o seu para assinar o atestado de insanidade do meu coração. Havia um resquício de esperança me dizia que seus pais haviam mudado de ideia no último momento. Que eles se dariam conta do quanto Londrina é longe de Florianópolis. Mas a certeza de que isso não acontecera era esmagadora.
Não entendi sua postura, você é maior de idade, por que não ficar? Quer saber?! Cansei. Liguei o f*da-se. Vou curtir minha fossa.

Eram Quase 3hs da manhã. Ela devia estar no caminho de casa nesse momento. Eles sempre saiam a esse horário do El Divino.

Destranquei a porta e chutei algo no caminho até o interruptor. Vi que era uma carta dele. Droga, ele a conhecia tão bem que sabia da sua curiosidade sem limites.
Querida Anne,
Sei o quanto você deve estar brava comigo agora, mas não se esqueça que eu te amo. Preciso que vá até o endereço que está anexado às chaves e pegue algo que deixei lá para você. Não lhe entreguei antes pois não consegui fazê-lo.
Com amor, Henry
O desgraçado realmente a conhecia. Odiei-me por ser tão curiosa. E mais ainda por não conseguir resistir. Havia um endereço e haviam chaves. Peguei o carro e fui. Dirigi tão rápido que nem ao menos me lembro de como cheguei.

Ouvi a porta sendo destrancada. Meu coração acelerou tanto que até hoje não sei como não enfartei naquele segundo.


Uma caixa?! Era tudo que ele havia deixado a ela? Preferiria ter sido esquecida. Bem, já que estamos aqui.
[...]
Ela finalmente entendera tudo. Ele não entregou o presente simplesmente por ser fisicamente impossível. Era o melhor presente o qual ele poderia ter lhe dado: ele mesmo.


Mas o que é isso? Estou bêbada?
Não, você está absolutamente sã.
Ah, então eu estou sonhando.
Errou de novo.
Então por que você está só com esta fita vermelha no quadril?
É o meu presente para você.
[...]






Pulp Girl

2011/04/13

Cetim


O barulho das rodas da carruagem refletia sobre as pedras daquele vilarejo sombrio.
Estava frio,a lua era gigantesca em meio a um céu limpo e sem estrelas.A carruagem negra para em frente ao Cabarett da cidade.
O cocheiro abre a porta para o rapaz cheio de juventude.Seus vinte anos de idade lhe faziam muito bem.
Entra.
Retira sua cartola e para para analisar o lugar.Não era exatamente o que procurava,pois desejava algo mais,mas iria servir.
Uma música animada tocava ao fundo,com as dançarinas balançando suas saias freneticamene para chamar a maior atenção possível, dos cavalheiros recém chegados.
O local não estava muito lotado,mas era suficiente para manter todas as vinte dançarinas ocupadas pelo resto da noite.
O rapaz senta-se ao canto do salão,como gostava de fazer para manter a discrição,já que sua pele branca reluzia contra a luz, e seus olhos azuis eram capazes de fazer qualquer pessoa perder a atenção,nem que fosse por um segundo.
O garçom vem servi-lhe o melhor uísque quinze anos.Depois de beber duas doses,ele se levanta, cansado da gritaria estérica das dançarinas que agradavam os homens na mesa ao lado.
Vai até os fundos do bar,que era encoberto por várias camadas de cortina de cetim vermelha.
Gostava de vermelho.
Lembrava-lhe sangue.
Mas algo atraiu sua atenção de uma forma maior do que as cortinas de cetim.
Ela era linda.
Sua pele era tão branca quanto a dele,os olhos pareciam duas esmeraldas que cintilavam com a maior magnitude que ele já vira na vida.
Terminava de se maquiar,trajava um vestido branco,bem diferente das demais.Não era tão decotado como os das outras,mas era extremamente sensual,justo,com uma abertura na linha da sua coxa até os pés.
Ela parou para olhar para ele,e em seguida,desviou os olhos e não disse nada.
Ele também não disse nada, mas não tirava os olhos diante de tamanha beleza.
Ele se aproximou.Ficou atrás dela,fitando-a.
Por fim,ela quebrou o silêncio:
-O que deseja?-Sua voz era delicada e com uma sonoridade impecável.
Ele abriu um sorriso malicioso,e muito gentil ao mesmo tempo:
-Eu trato muito bem as damas que conheço,você é realmente encantadora,gostaria de me fazer companhia esta noite?
-Não faço esse tipo de trabalho.-Ela disse sem olhar para ele novamente,séria.
-Assim você está sendo indelicada.Não estou pedindo-lhe para fazer o que suas colegas fazem na sala ao lado.
Ela seu uma risada baixa
-Qual é a graça?
Ela se levanda e se aproxima o suficiente para sussurar em seu ouvido:
-Venha.
Puxa-o pela mão e vão para a sala ao lado,onde havia uma cama espaçosa.
Ele começa despi-la puxando os cordões das costas do seu vestido,enquando entram em um beijo ardente.
Enquanto beija-a desce sua boca ao pescoço macio da garota.De repente para.
-Isso vai ser divertido.-Os olhos dele se injetaram de sangue,e pela sua boca entre aberta,notava-se seus dentes mais pontiagudos próximos a veia pulsante da jovem.-Ele pensou que ela desmaiaria de medo ou que gritasse,mas tudo parou.
Seus olhos verdes também ficaram injetados por sangue,e sua boca vermelha se contorceu.
-Sim,vai ser divertido.
Na manhã seguinte,uma aglomeração de pessoas se encontrava na frente do cabarett,que estava cercado pela polícia local.
Um andarilho que passava entre a multidão,cutuca o jovem que estava acopanhado pela garota angelical.
-Com licença caro rapaz,pode me dizer o que aconteceu aqui?
-Aparentemente houve um brutal assassinato neste local na noite passada.Todos que frequentavam o salão,morreram estraçalhados meu senhor.
-Por Deus! Mas quem poderia fazer algo do gênero?
-É isto que a polícia está tentando descobrir-Disse agarota gentilmente.
Mas algo fez o velho termer da cabeça aos pés ao notar a estranha perfeição do casal.
Com medo,vagarosamente se afasta e vai em direção ao centro da cidade.
As ruas pareciam cada vez mais desertas e o medo continuava a persegui-lo,sua respiração aumentava a cada passada,e então viu-se em uma rua sem saída.
Ele estava virado de costas para o início da rua tateando a parede fria.
Em um movimento se vira, e vê a gentil garota muito próxima de seu rosto,sorrindo maliciosamente,enquanto seu amado segura os ombros do andarilho.
O jovem, diz ao pé do ouvido do homem que parecia uma estátua:
-Pois bem,agora o senhor vai ter as respostas que tanto almeja.
O por-do-sol começava a rasgar, igualmente a pele de seu pescoço.

lillies








2011/04/12

A luz azul sobre seu ombro

Para todos aqueles que eternamente lembrarei, mas que certamente partirão.

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?”
Olavo Bilac –

Hoje, abro precedentes para dizer adeus. ADEUS com todas as letras e com significado mais puramente denotativo que já foi escrito ou falado. Mesmo que isso me arranque o pranto, faça-me doer o coração. Porque eu nunca disse adeus, mesmo sabendo que reencontros verdadeiros não existem.

Amanhã acordarei com olhos inchados, a cabeça dolorida. Unirei suas lembranças numa imagem mental quase tangível que me motivará pelo resto do dia. Uma esperança ficcional do retorno. As palavras virão me cercando. Aquelas palavras não-ditas na quietude da noite, na mesa do bar. Num intervalo, no umbral de uma porta.

Para todos aqueles que foram meus mestres sem ministrar lições. Por aquele olhar que me desnuda a alma a ponto de me enrubescer e logo depois grita “Vá em frente, você tem potencial”.

E daqui a alguns anos, poderemos nos encontrar na Elm Street, na Paulista, ou na Beiramar de qualquer canto. Contudo, apenas sorriremos em meio a um “Quanto tempo!” polido enquanto seu pensamento procurará uma desculpa para uma pressa súbita. Nós não somos mais os mesmos. Você tem outra vida, e eu tenho as mesmas lembranças. Ainda assim, trocaremos aquele olhar cheio de coisas não-ditas e que jamais serão ditas. E por dentro meu coração estará aos saltos e minha mente procurando as palavras tantas vezes ensaiadas, não para o possível reencontro. Ensaiadas desde o início para o momento passado em que estaríamos contornando determinados caminhos, que, de certa forma contornamos, porém em silêncio.

São coisas, que mesmo com você por perto, 
não puderam ser traduzidas em palavras. Pelo menos não nas palavras corretas.

As memórias boas permaneceram e conforme as águas do tempo lavarem as memórias desagradáveis, você fará parte da parte de mim que procurarei eternamente. Pois nunca aprenderei a lição que não deve ser dita em palavras: nossos mestres sempre nos deixarão.

2011/04/07

Esclarecimentos

Olá,
Aqui estou eu novamente (:
Vim esclarecer algumas coisas antes que surjam dúvidas:

  • Sim, posto muitos contos, crônicas e narrativas em geral. Todos eles são de minha autoria, se não o forem estarão com os devidos créditos ;)
  • Os personagens das narrativas não são reais. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. 
  • Caso se identifique de alguma maneira com qualquer um dos posts, mesmo os que não são meus, comente, isso facilita o nosso trabalho e também nos motiva :D
  • Tem algum tema para um post? Seja ele uma narrativa ou o que for estaremos abertas para acolhe-lo
  • Críticas? Se for construtiva teremos o maior prazer em lê-las e discutir sobre elas para melhorar o blog :)
  • Suas dúvidas ainda não foram sanadas? Comente aqui que responderemos abaixo da sua dúvida com outro comentário :3


Thanks a lot :D
Marshmallows, Lillie, Pulp Girl

Faminta

Era a terceira vez na semana a qual não havia terminado ainda. O sonho a perseguia, não importava a cama na qual dormisse. Mesmo se não o fizesse a imagem continuava em sua mente: um par de olhos castanhos cor de caramelo, a boca inchada cheia de desejo, procurando o que sentia na boca próxima. Inspiração e expiração dificultadas pela falta de fôlego que o exercício proporcionava. Shakespeare era muito sábio ao dizer que todas as noites são de sonho, mas mais ainda ao constatar os sonhados acordados. E às vezes o que era real parecia sonho, de tamanho o desejo transbordando. Não era apenas carnal. era canibal e talvez até anti-constitucional. A boca de desejos achou o que procurava.




Pulp Girl

2011/04/03

Azul gélido e quente


Ela pensava incessantemente,andando de um lado para outro,quase desgastando a sola do sapato:
"Acho que estou com arritmia cardíaca."
"Não,não estou doente."
"Minha saúde está perfeita.Então qual é o problema?"
"Uma única palavra em forma interrogativa ronda a minha cabeça sem parar:Será!?"
"Dormi pessimamente esta noite.Mas não foi porque tive pesadelos ou algo do gênero."
"Digamos que algo está começando a tirar meu sono..."
"AH,droga!"
"Não,não!Isso não pode acontecer!"
"Ou será que pode?"
"Parece ser tão perfeito,tudo que eu pedi durante um período da minha vida.Eu só não quero sofrer novamente...eu já sofri tanto..."
"Mas tem algo que paira nesse ar que metabolizo,que me deixa intrigada."
"Eu SINTO, que não vou sofrer."
"Ele não seria capaz disso."
"Então por que esse medo tolo sua covarde?!"
"Não sou covarde!"
"Então pare e pense!"
A menina em seguida tira os sapatos,e com tudo,se atira sobre a cama.
"Não consigo pegar no sono,que inferno!"
"Por quê não nasci homem? Seria tão mais fácil"
"Sofreria do mesmo jeito sua tonta!"
"Vou parar de discutir com você.Já basta"
Na manhã seguinte,a garota de calelos loiros compridos,decide ir até a praia.
O cheiro da salinidade limpava sua alma.O vento acariciava seu rosto,como o carinho de uma mãe por uma filha.
Uma lágrima solitária,cai pelo seu rosto de porcelana.
Ela estava solitária.Não digo pelo fato da praia estar literalmente deserta.Não podia contar com niguém,nem com seus pais ou com suas melhores amigas.
"Dane-se"
Estava relativamente frio,em um dia inicial de outono,mas ela não se importava.Tirou a calça Jeans e o suéter verde,e pulou no mar grosso.
Tarde demais.A água estava congelante.Sentiu seu corpo enrigecer.

"Então..."


"A morte é assim afinal?Rápida?"

A água gelada,que de início era transparente,escureceu,e depois disso ela não viu absolutamente mais nada.
Parecia ter passado um bom tempo naquele estado.
Mas abriu os olhos e em seguida,tirou toda a água que estava em seu pulmão.
Seu queixo batia freneticamente,parecia que a qualquer momento iria quebrar.
Sentiu que estava recebendo uma pequena quantidade de calor e em seguida,um aperto suave contra seu corpo gélido.
Um toque suave veio à sua testa.
"Quem será!?A morte não deve ser tão gentil a ponto de me carregar no colo.E muito menos quente."
Aos poucos,ela conseguiu erguer a cabeça.
E lá estavam o par de olhos azuis,que nem um Deus poderia possuir,tiravam seu sono,e que iriam aqueçe-la todos os dias...
Pelo menos até ela ficar fria novamente.




2011/04/01

Pedestre

Oito horas da manhã, estava indo trabalhar e havia acabado de deixar o carro no estacionamento mais próximo ao escritório. A sinaleira fechou e comecei a atravessar a rua. Pensei em todas as coisas que tinha para fazer quando chegasse em minha sala, todos os relatórios para terminar e todos os cafézinhos que teria de tomar para aguentar o meu chefe e me aguentar de pé.
Quando estava no meio da rua percebi que, apesar de ver o prédio do escritório logo à frente, não iria chagar lá tão cedo. Um motorista, provavelmente estressado e atrasado, avançou a sinaleira e me atropelou. Passou por cima de mim e continuou seu caminho. Quebrei a perna, e quando o motorista foi interrogado sobre a razão do atropelamento o sujeito falou que eu estava atravessando muito devagar e que só queria me dar um susto.
A única coisa que consegui pensar após ouvir isso foi que antes de ser motorista, ele é pedestre.


Pulp Girl