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2011/08/25

Louça


Quando começo a lavar a louça do jantar,e isso se passa no momento em que o Jornal Nacional começa a trazer as notícias fresquinhas do decorrer do dia,escuto meu pai dar um pigarro na sala:
-É, realmente só eu me passo como honesto,enquanto, uns e outros fazem exposição ridícula da sua figura!Por Deus! Aonde vamos parar?!
Sequei minhas mãos,após ter acabado;e dei um pequeno suspiro.
Talvez,porque eu já tenha me contentado com a situação.Afinal,já virou rotina ver pessoas,até mesmo artistas nacionais e internacionais fazer exposição de uma forma degradativa da sua figuraem troca de alguns pequenos e grandes trocados.Me pergunto se em algum momento eles já tiveram dignidade como eu tenho.
Não me despertava o interesse de saber sobre o quê, ou quem, se passava na propaganda que tinha acabado de substituir o jornal.Não é nem preciso olhar para chegar à conclusão de que será deprimente.Eu sabia que meu pai queria um argumento de minha parte sobre o assunto que ele acabara de se encher de indignação.Mas o que eu poderia fazer? A situação não iria mudar.Sempre haveria alguémque iria querer se sobrepor e levar vantagem;em qualquer aspecto que seja.
Já estou cansada de ouvir a expressão"Ah, o jeitinho brasileiro";Será que sou a única que não utiliza desse método?
Bem, meus pensamentos são solitários, e a louça no escorredor também.
Vou secá-la.

2011/06/02

Com Dança,mas sem consciência.


Essa vida de dançarina não é facil,diga-se de passagem.
Na maioria das vezes,jogamos todas as nossas emoções em nossos passos, sejam elas,boas ou ruins.Estou vivendo um período de frustração e fragilidade.Ah, e de tristeza também.
Sempre tento poder usufruir do melhor que a vida tem a ofereçer e a mostrar,mas o que eu posso fazer se ela não me dá uma pequena brecha?
Se quer me entender, eu explico:
Estava parada conversando com uma querida amiga, enquanto via vários casais dançarem no grande salão,com seu grande e espaçoso piso de madeira.As luzes eram baixas e deixavam o ambiente com o ar misterioso.
Involuntariamente um arrepio arrebata-me a boca do estômago.No outro lado do salão estava ele:me olhava compenetrado, e então, desviei o olhar,fingindo não ter percebido sua presença,e balancei o cabelo.Sim, um artifício feminino.
Quando me dei por conta, ele havia atravessado o salão, e estava parado á minha frente e me cumprimentando:
-Quer dançar comigo?
-É claro.- Sorri e segurando minha mão me puxou para o salão.
Dançamos uma música juntos, e ao final da mesma, ele me elogiou olhando de cima a baixo:
-Você está um arraso eim!-Até agora, não faço ideia se ele estava elogiando minha dança,ou minha aparencia no momento.
-Obrigada-Sorri maliciosamente,virei as costas e vaguei para meu canto do salão.
O mais impessionante é que depois de 15 minutos ele me tirou novamente para dançar.Como seria meio desagradával faze-lo me tirar todas as vezes para dançar, eu disse mais uma vez de uma forma maliciosa:
-Da próxima vez, eu te tiro pra dançar- Ele estava começando a se divertir com meu jogo corporal.
Como prometido, eu o tirei para dançar na terceira vez.Mas, ao término da música,ele resolveu não parar mais de dançar, assim, passou-se uma hora que ficamos dançando juntos.
O contato físico começou a ficar cada vez mais próximo, e eu quase perdi as batidas do meu coração(se é que elas estavam lá)quando ficamos queixo a queixo colados.
Mas que inferno astral que eu estou vivendo!
Afinal, ficamos uma única vez como casal há dois meses atrás, ele houvera decidido "terminar"uma coisa que nem ele mesmo se deu a chance de começar.
Se está se perguntando se eu gosto dele ou coisa paceçida se eu o ''AMO'',não posso lhe responder, pois eu não tenho mais a consciência nem de quem sou.
Não tenho vontade de comer,estudar,ler,cantar,de não sentir absolutamente nada.
Chega a ser deprimente, pego-me chorando do nada,quando estou olhando para a tv ou escutando uma música,por mais ridículo que seja.
Sei que homem nenhum mereçe as lágrimas de uma mulher.
Não consigo entender o motivo de tanta risteza.
Ainda não descobri, se essa vontade que tenho,é meramente física ou sentimental, para não me sentir vazia.
Fico em dúvida se é melhor sentir a dor, ou não sentir nada.
Eu gostaria de me postar na frente dele e dizer, o por que ele não se dá a chance e me dá uma chançe, mas a resposta é simples, eu não vou me rebaixar.
Uma vez na vida vou começar a me valorizar de verdade.
Mas eu garanto, se voltar a se repetir, simplesmente vou abrir o jogo:Vai se decidir? Pois eu não tenho muito tempo, tem uma fila de homens nesse mundo a fora.Estou dando-lhe uma última chance.
Eu vou esperar mais um pouco,mas não pense que vai ser por muito tempo.
A única vontade que tenho nesse momento,é de dançar,e talvez,de beija-lo novamente.


Lillies



2011/05/29

Happy Birthday

Sabia que toda vez que eu escuto "Hey, Soul Sister" lembro-me de você?! Invariavelmente. Não importa o momento, seja bom ou ruim. Agora, no seu aniversário, toda vez que você ouvir essa música você irá lembrar de mim. Invariavelmente. Tem mais: toda vez que você pensar em mim vai lembrar dessa música, afinal eu sou sua Soul Sister.
Por enquanto, esse é o meu presente pra você. Feliz aniversário (:




Pulp Girl

2011/05/05

Caminho



Eu estava tentando salvar a vida dele.
Eu havia recebido duas condições: ou eu me arriscava para salva-lo,ou simplesmente escolheria seguir em frente e não ajuda-lo.Se fizesse a segunda,ele morreria.
Por mais que meu coração estivesse dilacerado,não poderia deixa-lo perder a vida.
Acabei aceitando.
Um caminho sem fim,feito de cacos de vidro surgira na minha frente.
Uma voz ordenou: Caminhe.
Não havia reparado,mas meus sapatos já não estavam mais em meus pés.
Dei o primeiro passo.
Sentia os cacos de vidro entrarem na sola de meus pés,enquanto um material que eu não fazia ideia do que era feio,retalhava minhas costas aos poucos.
O sangue escorria.
A voz sombria começou a me atormentar,não que ela não tivesse feito isso antes,mas começou a afetar o meu psicológico,além do físico.
Pode chorar.Chorar é coisa dos humanos.É para os fracos,os frágeis.
Não.Eu não vou chorar.
E por quê não?Você já fez isso tantas vezes por ele,e o que ele fez?Nada.
Ele não me interessa mais,não faz mais parte da minha vida.
Então o que você esta fazendo?
Eu não tenho escolha.
É claro que tem,você não precisa fazer isso.
Mas não posso deixa-lo morrer.
Ele não faria o mesmo por você,eu tenho certeza disso.
CALE A BOCA.
Pobre criatura.
Ignorei esta última parte,e continuei caminhando.Eu não iria chorar,não importasse a dor que estava sentindo.Prometi a mim mesma que não o faria novamente.
A escuridão pairava a minha volta,eu não via mais nada além do caminho de vidro,que não conseguia ver o final.
Vamos brincar mais um pouquinho?
Por mais que eu quisesse,a voz não saía,o que esse maldito estava fazendo?
Surge em minha frente uma janela grande de vidro,e por ela,havia uma claridade muito intensa.
Será que era o caminho de volta?
Um sopro saiu de minha garganta:
Não...
Eu estava o vendo em minha frente,mas ele não estava sozinho.
Ele a abraçava e ria ao mesmo tempo,enquanto tocava-lhe a boca com seus lábios.
Sim!
Pare com isso!Por favor!
Mas só estamos começando!Incrível,você aqui,sangrando por ele,enquanto ele abraça ELA.Ele lhe beijou uma vez,oferecendo conforto,e você,achando que ele te amava?HÁ.
Não havia mais como segurar.O choro desesperado surgiu em meu rosto,e quando me dei por conta,gritei o nome dele.
Não adianta criança,ele não vai te ouvir,você não faz parte do mundo dele,nem ele do seu.
Sem mais forças,caí de joelhos no vidro,e minha visão começou a ficar embaçada.
Um último suspiro baixo saiu de minha boca, e chamei o nome dele novamente.
Hahaha.
Com o que me restava da visão,vi que ELA não estava mais lá mas ele continuava parado olhando para os lados procurando por ela,provavelmente.Senti uma mão puxar com força,meus cabelos para trás,para em seguida sussurrar em meu ouvido:
Está se divertindo gracinha?Ele é meu agora!Contente-se e cale-se.
Sua desgraçada,deixe-o em paz,e a mim também!
Ela empurrou meu rosto contra o vidro e senti um caco entrar em minha bochecha.
Mas o peso dela saiu de cima de mim.
O que estaria acontecendo?
Senti algo me erguer e me colocar para um lugar,que o vidro não me machucava.Era o chão liso.
Escutei um grito:
O que você está fazendo?
Não sei como pude ser tão cego!
Ela não serve para você.EU sou perfeita! Não enxerga isso.
A perfeição não existe.
Um barulho grande surgiu,seguido novamente por um grito agudo,rápido e abafado.
Ele se aproximou de mim,eu podia sentir.
Eu sinto muito.Você não merecia passar por isso.
Ele começou a retirar os cacos de vidro e suturar os ferimentos.
Pode me responder uma pergunta?
É claro.
Você faria o mesmo por mim?
Alguém que oferece a própria vida por mim,tem a minha vida em troca como resposta.A amizade é para isso não é?
Sim,claro.
Hoje,me olhei no espelho,não havia ficado nenhuma cicatriz em meu corpo,a única que existia,era a que ficava em meu coração.
Ele se tornara simplesmente um amigo.Eu enxergava o que ele não enxergava.
Ela não o amava.
Eu sim.
Por mais que tudo não passasse de um pesadelo,era a verdade que eu desejava que ele um dia visse.Ele possuiu o meu amor,mas o trocou em menos de uma semana, pelo dela.
Um dia,alguém pisará em cacos de vidro por mim,e eu sei que quando esse dia chegar,eu vou limpar os ferimentos.



2011/05/03

If you wanna Rock 'n' Roll

Angus Young explode nos meus ouvidos com o solo de T.N.T. Às vezes até eu mesma me surpreendo com o fato de que apenas escutando AC/DC eu consigo me acalmar de verdade.
Costumo dizer que os irmãos Young são meus únicos amigos verdadeiros. Foram eles que me ouviram chorar por você durante Back in Black, e me viram voltar para você  como uma adolescente apaixonada em Highway to Hell. Voltei a chorar, mas dessa vez foi em outro inferno, Hells Bells. Será que na próxima você vai querer voltar em Thunderstruck?
Não vou ficar me punindo dizendo que fui uma idiota, burra e afins, Se quisesse, chamaria minha mãe, que sabe fazer isso melhor do que ninguém. Não. Ao invés disso tudo, eu quero é te parabenizar por conseguir me enrolar durante tanto tempo, e agradecer por teres sido um aprendizado enorme na minha vida. Já sei o não devo mais fazer.
No mais, é hora de voltar ao caminho, já que It's a long way to the top.


Pulp Girl

2011/04/28

Ar Fresco

A luz estava piscando. Quem sabe a lâmpada estava morrendo ou apenas com mau contato. Àquela altura do campeonato, aquilo realmente não importava.
Estava deitada por cima da manta que mamãe bordou para mim. Sentimentos à flor da pele. A cama era mesmo um lugar quente para se chorar. Eu havia perdido a noção do tempo. Eu poderia estar ali há minutos, horas, dias... Cada lágrima que escorria por minha face não parecia o suficiente para acabar com aquele vazio, com aquela dor. Sim, vazio. Ele havia ocupado um lugar no meu coração. Eu não imaginava uma vida a não ser com ele.
Então eu estava ali. Havia perdido a sensibilidade do rosto. Não sentia mais as lágrimas rolando e se acumulando no travesseiro. Sentia apenas o meu corpo cansado de sentir dor.
Dois anos e meio. Iríamos fazer dois anos e meio daqui a uma semana. E então, ele foi embora. Um bilhete apenas. Um bilhete se lamentando. Nada mais. Nenhum motivo, nem um até logo. Nada. Esse bilhete ainda pulsava em minha mão, como uma veia aberta e dilacerada. Eu li aquele pedaço de papel tantas vezes que perdi  as contas. Eu decorei cada palavra. E o motivo de tudo aquilo teimava em não se mostrar para mim.
A dor não dava uma trégua sequer. Eu sentia saudade dos beijos dele, da mão na base das minhas costas me puxando para perto. Sentia saudade da boca dele no meu pescoço, sussurrando o quanto me amava. Foram tantas promessas quebradas em segundos. Promessas de amor eterno, de casamento e filhos... Na verdade, essa última foi a única que ele cumpriu. Eu ia dar a notícia quando completássemos dois anos e meio. Mas não houve essa oportunidade.
Eu não poderia criar esse filho sozinha. Eu olharia para uma criança, sem culpa, e a odiaria por tudo que ela me faria lembrar e por tudo que ela representaria. Não, eu não a teria.
Eu estava com fome. Sozinha e casa desde a hora a qual cheguei da casa dele. Eu tinha uma cópia da chave. O bilhete estava na mesa da sala. "Perdoe-me" ainda martela na minha cabeça. Não. Não perdoo. A dor não permite.
O eco de nossas risadas, as imagens de nossos sorrisos bombardeavam minha memória. Nessa hora eu não tinha mais lágrimas nos olhos.
Minha cabeça girava. Devo estar enlouquecendo. Veio-me à cabeça a lembrança de nossa última noite juntos. Teria sido a noite da consumação do bastardo? Parecia ter acontecido à séculos.
Minha cabeça ainda doía. Nem sabia o que estava fazendo. Em um momento estava deitada, no seguinte, abrindo a janela. Me surpreendi ao ver que já havia escurecido. O vento cálido de verão varria para longe toda a minha dor. Por um momento parecia que não havia nada. Subi no parapeito. Isso me fazia bem. O que eu estava fazendo, afinal? Uma voz na minha mente dizia que aquilo era o certo a se fazer. O vento me curava.
Então, não havia mais nada sob meus pés. Eu estava caindo e não sentia coisa alguma ao meu redor. Só o doce abraço do vento me carregando para a vastidão da noite.


Ann Riddle and Pulp Girl

2011/04/24

Esqueça ou lembre-se






















Esqueçam as borboletas...pelo menos por algum tempo.
Não sabe o que é partir o coração de uma mulher.
Posso estar exagerando,mas estou colocando meu coração sobre a mesa.
Ele te oferece uma bandeija cheia de felicidade,ou pelo menos você pensa que pode ser a sua felicidade...
OU TALVEZ NÃO.
Talvez não seja o momento certo,talvez em um futuro um pouco mais a frente.
Talvez,por que eu rezo.
Por um minuto,uma frase saíu de minha boca:''Não sei se acredito mais em magia"
Isto já foi uma concordância,mas pura besteira.Não sei nem mais o que estou dizendo.
Você começa a pensar que não foi boa o suficiente,que nunca vai fazer nada direito.
Não quero saber de quem foi a culpa.
Não questionarei mais motivos.
Pelo menos por enquanto[...]
Se quiser me explicar,estarei aqui.
Meu corpo,minha alma e minha mente,estão fracos.
As lágrimas são quentes e frias ao mesmo tempo.
Não quero que você chore,eu já fiz isso por nós dois.
Mas se quiser chorar,tudo bem,somos humanos.
Quero vê-lo feliz,e sei que me quer feliz,você já me disse isso.
O que custa se dar a chance,ou até mesmo a felicidade?
A vida é uma dança.
Você e eu fazemos parte dela.
Não vou me queixar de novo.
Chorar?Talvez.
Sinto uma vontade imensurável em faze-lo.
Lembre-se da minha borboleta,ela ainda passa em frente a lua,só que não a vi essa semana.
O que vi,foi apenas chuva,e por trás da janela embaçada,ví um vestígio de imagem,talvez,seja a minha borboleta me procurando,pois se perdeu da lua.
Mas um dia,ela volta e talvez,traga a minha felicidade e algo a mais de volta pra mim.
Só sou uma mulher pedindo para ser amada.
Nunca se sabe.



Lillies.