Para todos aqueles que eternamente lembrarei, mas que certamente partirão.
“Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?”
– Olavo Bilac –
Hoje, abro precedentes para dizer adeus. ADEUS com todas as letras e com significado mais puramente denotativo que já foi escrito ou falado. Mesmo que isso me arranque o pranto, faça-me doer o coração. Porque eu nunca disse adeus, mesmo sabendo que reencontros verdadeiros não existem.
Amanhã acordarei com olhos inchados, a cabeça dolorida. Unirei suas lembranças numa imagem mental quase tangível que me motivará pelo resto do dia. Uma esperança ficcional do retorno. As palavras virão me cercando. Aquelas palavras não-ditas na quietude da noite, na mesa do bar. Num intervalo, no umbral de uma porta.
Para todos aqueles que foram meus mestres sem ministrar lições. Por aquele olhar que me desnuda a alma a ponto de me enrubescer e logo depois grita “Vá em frente, você tem potencial”.
E daqui a alguns anos, poderemos nos encontrar na Elm Street, na Paulista, ou na Beiramar de qualquer canto. Contudo, apenas sorriremos em meio a um “Quanto tempo!” polido enquanto seu pensamento procurará uma desculpa para uma pressa súbita. Nós não somos mais os mesmos. Você tem outra vida, e eu tenho as mesmas lembranças. Ainda assim, trocaremos aquele olhar cheio de coisas não-ditas e que jamais serão ditas. E por dentro meu coração estará aos saltos e minha mente procurando as palavras tantas vezes ensaiadas, não para o possível reencontro. Ensaiadas desde o início para o momento passado em que estaríamos contornando determinados caminhos, que, de certa forma contornamos, porém em silêncio.
não puderam ser traduzidas em palavras. Pelo menos não nas palavras corretas.
As memórias boas permaneceram e conforme as águas do tempo lavarem as memórias desagradáveis, você fará parte da parte de mim que procurarei eternamente. Pois nunca aprenderei a lição que não deve ser dita em palavras: nossos mestres sempre nos deixarão.

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