Páginas

2011/03/26

Bichos Papões


Revoltam-me essas pessoas que mal chegam aos trinta (quando chegam) e já estão lamentando o que as "outras gerações" fizeram com o mundo. Grandes bichos papões ultrapassados que acham que caretas de reprovação e o bater de uma porta vão afugentar as crianças, fazendo brotar um pouco de respeito. Esse "respeito" foi perdido quando vocês deixaram o quarto bagunçado e correram para dentro do armário, cataram seus pedaços de plástico e passaram a desprezar, xingar e tripudiar tudo o que foi criado depois de vocês. Desculpe-nos se não estamos consertando o mundo direito, mas ninguém nos ensinou como fazer.

Constrange-me essa geração que julga os outros pelas músicas que ouvem, pelos filmes que assitem ou pelas roupas que usam. Nunca pelo que têm a dizer ou pelos seus gestos. Nunca perdem mais de cinco minutos a observar-nos. Sinto muito por ter compactuado com os bichos papões pela mínima vez que seja. Arrependo-me se alguma vez ostentei esse sorriso prepotente frente a qualquer criança. Orgulho-me sim de toda e qualquer influência que Peter Pan faz por aqui.

Envergonho-me por toda a generalização ao meu redor, pela redução, pelo subjulgamento. Pela não crença nas gerações que virão. Tenho pena desses desacreditados que morrerão achando que o mundo estava perdido porque não é mais o mesmo de quando nasceram. Papões que temem ver o mundo, espalhando más notícias, sem nunca ter de fato aberto os olhos para vê-las acontecendo. Culpam-nos ou os culpam por não fazer revoluções e não bater as panelas que escoderam. 

Por que não param de procurar razões para nos dividir em fases ou gerações? Um número no RG não vai determinar se o seu conhecimento é suficiente ou não para tomar partido  em uma batalha. Considerar-se absoluto, sentar, comparar e reclamar é fácil. Ser criança não é fácil.  Crescer é uma merda, infelizmente todos sabemos. Mas crescer e se esconder é pior ainda. 


2011/03/11

"No more Rachel" ou Bipolaridade Tripartida

Eu deveria ter vergonha disso, mas quer saber? Não tenho. Artistas plásticos expõe xeróx da bunda e usam literatura vitoriana pra conceituar. Acho feio, e daí? Eu tenho pensamentos, tenho um teclado (apesar de ainda preferir papel e caneta), então devo escrever. Mesmo que as palavras sejam tão ruins que indignas de salvação, que partam das minhas mãos com destino certo para as chamas da lareira, não importa. É um maldito desejo por não-atenção que conduz esses pensamentos para fora de seu receptáculo perfeito - e conduz muito mal, obrigada. Nessa cena caoticamente quase imprestável surgiu Rachel. 

Não, mentira. Eu sonhei com ela. Não sei o que havia comido que me fez sonhar com ela caindo do avião. Era uma forma tão ridícula de morrer - e não me perdoem pela indelicadeza - que eu precisei escrever sobre isso. Se o sonho tivesse acontecido alguns meses depois entraria em outra história, viraria roteiro de gaveta. Pobre Rachelque caiu do avião sobre meu travesseiro numa noite que precedeu o dia em que eu estava inspirada. Ganhou 57 páginas (preguiçosas, de 1.5 entrelinhas) de loucura. Ganhou uma irmã caçula maluca e rabugenta, um quase marido propenso a ter um enfarte daqui a 10 segundos, e um cunhado que todas desejam à Afrodite. E perdeu o papel principal.  

O que eu ganhei? Terminei alguma coisa. Fechei mais um ciclo. Fiz tudo de forma objetiva, como eu não costumo fazer.  Isso é muito mais do que eu estou acostumada. E ainda vou ter o que ler no final do ano, quando tudo estiver cinza e desanimado e eu quiser ter minha crise narcisista. Também é um incentivo, não só para mim; mas a todas as minhas amigas que me incentivaram (na verdade que nos inventivamos juntas) a escrever para nós mesmas.

Escrever não é uma escolha. Até essas palavras esquizofrênicas, bagunçadas têm um objetivo. Quando eu não escrevo, sinto como se fosse perder a lembrança daquela momento em que não deixei minha impressão sobre o mundo. As palavras me fazem sentir o mesmo vento no cabelo do final do outono de 2007. O  passeio no verão de 1994 (que foi remetido graças ao balanço no verão de 2002).  Está tudo diluido por aí, quando releio tudo vou apenas juntando as peças. Talvez um dia eu ponha um vidro sobre elas e exponha. Talvez um dia.

Se algum dia bater o tédio, complementem-no: 
Being Rachel in FictionPress.com



2011/03/07

Para além da segunda lua

Gostaria de pensar, se existe ou não, um refúgio desse mundo para o outro.Se existisse uma porta, a qual pudéssemos abrir, e, de repente um clarão imenso surgisse,e eu sentiria a grama úmida sob meus pés e o vento afagando meu rosto delicadamente.
Mas parece que falta alguma coisa...
Seguro a barra do meu longo vestido branco de seda, caminho em direção ao topo da colina tão verde,e finalmente, encontrei o que tanto procurava.
Lá estavam elas, as duas luas brancas.De tamanhos tão distintos,como se diferisse um pequeno ratinho de um elefante.
Eu precisava provar que havia conseguido chegar à aquele lugar.
Mas como?
Havia recebido tantas críticas negativas,sobre o que eu deveria ter feito ou escolhido em minha vida, que acabei não fazendo nada do que gostava,graças a maldita opinião alheia.
E agora eu tinha a oportunidade de levar algo daquele lugar celestial,para provar que fiz algo além, que um simples humano poderia fazer.
Mas o que eu poderia levar dali?
Não havia mais nada,além da colina das duas luas brancas.
Caminhei em direção a primeira lua, e enquanto isso, o silêncio me fazia companhia.
Quando fiquei à frente da grande lua, estiquei meus dedos para tocá-la,mas algo me repeliu.
Fiquei inerte durante um tempo, pensando o por que, disso ter acontecido.
Um sorriso surge no canto de meus lábios.Como eu não havia pensado nisso antes?
Eu não poderia levar uma coisa tão grande deste lugar para o meu mundo.
Dei meia volta e segui para a segunda lua.
Ela era tão pequena,e parecia tão frágil ao mesmo tempo...estiquei meus dedos e consegui pegar pequena bolinha em minhas mãos.
Ela era resistente,feita de um material mais duro que pedra.Flutuva em minhas mãos igual a uma pluma, enquanto eu caminhava em direção a porta que havia me levado para aquele lugar.
Girei a maçaneta,e depois disso não vi mais nada.Tudo se empreteceu.
Coloquei a mão em minha testa, pingava de tanto suor,e senti as cobertas enroladas em meu corpo que estava extasiado.
Teria sido somente um sonho afinal?
Uma sensação de fragilidade me veio à tona.Eu estava tão perto de trazer aquela lua para este mundo.
Olhei no relógio e eram três horas da manhã.Levantei da cama, bebi um copo d'água e fui em direção varanda.
A noite estava perfeita.Não tinha vento, o céu estava muito limpo, a lua estava enorme e muito branca.
Uma lágrima caiu pelo meu rosto,pensando em todo a tristeza que pairava sobre a minha vida.Eu só queria provar que era diferente de todos os outros simples humanos, que eu tinha algum poder dentro de mim,pois para trazer aquela pequena lua,teria de ter algo muito especial em meu coração e na minha alma. A lágrima caiu sobre minha mão direita,que estava apoiada na mureta da varanda.
Um brilho incandescente surgiu na palma de minha mão,virei minha palma para cima, e ali estava ela...
Pequena e frágil,como na colina onde eu estive.
Corri para dentro de casa e aflita chamei minha mãe.Eu precisava mostrar o que tinha de tão especial em mim.
Minha mãe acordou assustada com a minha aflição:
-O que foi minha filha?
-Veja o que tenho em minhas mãos, mãe!Uma pequena lua!-Ela olhou fixamente para as minhas mãos, e franziu a sobrancelha:
-Minha filha, volte a dormir...você está sonhando.-Deitou a cabeça em seu travesseiro e não disse mais nada.
Mas será que ela estava cega???
Uma lua flutuava em minhas mãos e ela me disse para voltar a dormir?
Voltei em direção a varanda e fiquei estática.
Uma figura estava sentada no balanço da varanda.
Era um homem absurdamente bonito,loiro e alto,vestido com roupas brancas.
Seria um anjo?Ou a morte querendo me levar?
O homem volitou até mim, retirou a lua de minhas mãos e transferiu-a para dentro de meu coração.
Senti um alívio absurdo em meu interior.
Ele sorriu e disse ao pé do meu ouvido:
-Você é diferente, de uma forma que os outros, não terão a capacidade de lhe compreender.
-Isto significa que não sou humana?
-Significa que você é igual a mim.
-E o que você é?-Fiquei perplexa,não entendia o que estava acontecendo.
O homem perfeito me beijou no rosto e em seguida, desapareceu.
Não consegui dormir novamente,fiquei sentada no balanço,vagando em pensamentos.
Pela manhã,fui a padaria,escolhi o pão e fui pagar no caixa.Abri minha carteira, e como sempre,desastrada, derubei moedas no chão.Baixei para pegá-las e vejo outra pessoa me ajudando a catá-las no chão.
-Isso sempre acontece comigo.-Eu disse sem olhar para a pessoa.
-Comigo também,você nem imagina-Fiquei estática,ao escutar aquela voz(eu só poderia estar ficando louca)e levantei a cabeça para olhar.Ali estava ele, o homem que colocou a lua em meu coração.
-Você está bem?-Ele me perguntou.
-Já nos conhecemos?
-Acho que não.-Ele me olhou intrigado -Por quê?
-Você não me é estranho - Balancei a cabeça e sorri.
-Cheguei ontem na cidade, não conheço ninguém ainda,mas você também não me é estranha.
Caminhamos em direção a rua, sem dizer uma plavra depois disso.
Estava perplexa e corada também.
E um movimento brusco ele segurou meus ombros e me olhou assustado.
-O...o..o que houve?-Perguntei nervosa.
E nesse momento fiquei sem fala,aquele brilho da pequena lua, estava em seu coração também...
-Que brilho é esse dentro de você?-Ele me questionou
-É...é..o mesmo que tem dentro de você...-Disse eu entre lábios.



Bem, entenda como quiser.



Lillies

2011/03/04

Confettis Vernales

Balões não são confetes pois não são feitos de açúcar nem de papel.
Duas horas.
O ritmo do trabalho vai diminuindo, as pessoas vão saindo cedo, muitos cumprimentos... Tudo  indica que não falta muito agora para um delicioso, longo e tranquilo feriado. Mas você ainda tem trabalho e não quer ir para casa pensando nas pendências, você quer ir para casa curtir o feriado. Então, nesse momento você precisa dedicar-se completamente a suas tarefas; não planejar o feriado. Você tem tudo nas suas mãos (um computador?!) para livrar sua consciência de um peso desnecessário por quatro dias, e o mínimo que você pode fazer é se concentrar. Simples, não?

Não.  


Uma hora.
A folia começa em pontos dispersos e cores diversas. Poesia. Gradativamente as ruas vão se enchendo de felizes desempregados ou muito bem empregados, estudantes e famílias em folga. Batuques e sons e vozes ao longe compõe um cântico hipnótico que lhe encaminha para outro problema que não aquele piscando no seu monitor: como passar por toda essa gente para chegar em casa? Você recorda outras ocasiões nada agradáveis em que teve de passar pelo meio do amontoado de gente que insiste em encontrar a felicidade num grande mar de possibilidades causais casuais. 

Meia hora.
O monitor já entrou em espera. E você também. Já desistiu da idéia de ter um feriadão saudável e vai se encher de álcool para não pensar em todo o trabalho que estará por fazer a partir do momento em que as faxineiras lhe expulsarem do escritório. Ainda há uma esperança, no entanto! Quente e úmida vem a chuva através de interjeições negativas de seus colegas. Por baixo da mesa você ensaia um gesto de comemoração. A chuva vai mandar aquele povo todo para casa.Finalmente você vai poder com a previsão de paz.

Puta que me pariu, está chovendo! 


É claro que está chovendo. Você lavou roupa, deixou o carro na oficina,  veio com sapato aberto e tirou a sombrinha da bolsa. Você vai se molhar. Suas roupas vão precisar ir para trás da geladeira, porque vai chover por todos os quatro dias de feriado. Sem nenhuma possibilidade de sol, você não vai mais para a praia durante o feriado. Mudança de planos, agora vai ser de filmes para relaxar, mas quais? Google. 

18h55
Todos já foram embora na sua sala. Um último perdido lhe pergunta se vai dormir no escritório, educadamente você o responde que está esperando a chuva estiar. Está? Lá fora não há mais barulho, nem água, nem gente. Só um burburinho vindo das paredes do escritório que vai aumentando. Você olha para fora, olha para o monitor, fora, monitor, fora, monitor, fora, porta. Porta(!) Está logo ali, parada com o esfregão na mão e o rostos desafiador de quem está fazendo maior sacrifício do que você. 

18h58
Você desliga o computador com pesar, consciente de que os arquivos vão ficar anexados em suas artérias, acumulando-se para um dia - talvez próximo, talvez longíquo - transformarem-se num enfarto fulminante. A faxineira lhe cumprimenta com um aceno de cabeça, você corresponde. No segundo em que vocês trocam olhares, você se põe no lugar dela. E a sexta-feira dela estava só começando.

19h00
Então você sai para a rua e a chuva deu uma trégua. Mas fez bem seu trabalho, cores diversas sobem a rua fazendo o caminho de volta para casa. Vozes silenciaram. Batuques ficaram suaves e o cântico cessou. Resta o cheiro de cerveja choca misturado ao suor de quem saiu do trabalho no meio da chuva e meia dúzia de tules e crianças teimosas com fantasias vergonhosamente apertadas. Sim, eles tiveram uns bons trinta minutos de folia. Podem ir pra casa, quem sabe amanhã eu me junte a vocês.

Como me tornei uma "Wolverina", por assim dizer.

Sabe como é, eu entrei num táxi mancando e pedi pra ele me levar ao hospital, achei que tinha quebrado a perna, tudo normal até chegar lá. Paguei o taxista e quando entrei no hospital estava tudo vazio, aparentemente já haviam atendido todas as urgências. O enfermeiro me levou para a sala de raio X numa cadeira de rodas para poupar a minha perna. Me colocaram na sala e depois de todo o processo me levaram a outra sala para reposicionar a perna corretamente. O único problema é que logo que deitei na maca o médico apertou um botão para descer um número absurdo de agulhas (não me pergunte de onde o governo tirou dinheiro para tantas agulhas se, tecnicamente, não tem dinheiro nem para melhorar o atendimento nos hospitais) na minha direção, aí, tarde demais, descobri que estava totalmente presa à maca. Foi como se milhares de vespas me aferroassem ao mesmo tempo e por um segundo a dor parou e tudo tinha acabado, mas eu não estava mais na sala. Estava agora de volta ao táxi e aparentemente nada havia mudado.
Cheguei em casa achando que nada daquilo passava de um sonho estúpido, inclusive a parte da perna quebrada. Como eu estava errada.
Recebi uma mensagem de texto do meu ex-namorado me convidando pra festa de noivado dele com a minha ex-melhor amiga. Não precisarei descrever a raiva que tomou conta de mim. Mas maior foi a surpresa de ver que simplesmente três garras de metal, que por algum motivo não explicável eu sabia que se chamava adamantium, rasgavam a pele entre os ossos dos meus dedos sem fazer barulho ou causar dor. Fiquei admirando aquelas "garras" durante alguns minutos, até ouvir um murro na minha porta quase quebrando-a no meio...

Acordei na fila do hospital com um baque ensurdecedor de uma senhora com seus 50 anos caindo no chão, com a minha perna ainda quebrada e meus quadrinhos do X-Men para me fazer companhia.


Pulp Girl (f)

Cartas a Estranhos

Será que não é mais fácil dizer a verdade desde o início?! Isso poupa não só corações partidos como também copos, pratos e alguns ossos seus. Pois é, estou realmente com raiva, mas melhor que quebrar corações eu sou realista e verdadeira. Em nenhum momento o que eu te disse foi falso. Ao pensar em todas as mentiras que você me disse eu choro de raiva, não só por mim, mas por todas as outras que você partiu o coração. Não sei se você lembra, mas foi você quem começou tudo isso, dizendo que estava apaixonado por mim e tudo mais. Foi só depois de você me dizer tudo isso que eu percebi que estava apaixonada.
Eu não só te disse isso como também acreditei no que você falou, mas, e agora, será que tudo isso pelo menos algum dia foi verdadeiro??
Muitíssimo obrigada por ser mais um merda na minha vida. (:

Pulp Girl (f)

Hello Strange (:

Olá pessoas,
Vim aqui me apresentar pois a partir de hoje estarei postando nesse blog junto com a Lillies e com a Marshmallows.
Pra começar ficarei conhecida como the Pulp Girl (a garota de celulose) pelas minhas postagens. Eu sei que esse post é super didático, mas é necessário agora nesta ocasião. Espero que gostem do que escreverei, que é, basicamente, o que sai da minha cabeça na hora ou um pouco antes.
xoxo

Pulp Girl (f)