Minha querida Lillies,
Hermes uma vez me disse que eu deveria procurar entender os outros. E eu fiz. Entendi-os tanto que percebi que nada do que falavam possuía o menor fundamento. O tempo que perderam tentando encontrar sentido em artifícios dispensáveis, as horas que passaram discutindo sobre um futuro que lhes seria tomado na manhã seguinte? Por quê continuam a fazê-lo? Todo esse palavratório e pensamentos são decorrência de medo incondicional do silêncio, do escuro e do constrangimento. Cortei-lhes as cabeças para que aprendessem a conviver com o silêncio nas tardes - finalmente longas - de domingo.
Prepotente? Talvez. Mas não me importo.
Eu não quero mais essa coleção, não hoje, pelo menos. Posso mandá-la a você. Foi-me útil por uns dias, até que algo indefinido e indecifrável aconteceu - não me questione, não sei o que é - e eu entreguei as cabeças a Hermes. Ele deve estar perdido, sem destino tentando encontrar um fim para essa pequena amostra do poder de Ares. Ainda não gosto de pessoas. Mas e daí? Não preciso me importar com elas e com suas ações decorrentes da falta de auto-estima. Elas não merecem o lugar que estavam ocupando na minha prateleira.
Egoísta? Muito.
Hermes que se vire para entregar essas cabeças. Se você não as quiser, posso mandar como oferenda à Medusa. Ou que Hermes as defenestre se ficar entediado, cansado, bravo, ou se quiser apenas tirar sarro.
Sinceramente,
Marshmallows.
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