As pessoas me decepcionam. E me decepcionam cada vez mais a ponto de eu não querer falar com outras pessoas. Se eu quisesse ficar em silêncio por um tempo – um decênio – talvez, valeria a pena? Quero dizer... Valeria alguma coisa? Meu silêncio. Porque as palavras não valem. Não valem as minhas, as suas, não valem as de Freud nem as de Nietzsche. Nada é concreto, as palavras não são concretas, nem pensamentos. E os pensamentos não conhecem linha direta com a palavra – não há tradução. Por isso, talvez haja mais gênios do que a humanidade constatou. Ninguém sabe o que algum João Ninguém pensou antes do Einstein. Podia ser bem melhor, com muito mais utilidade para a ciência. Mas ele só pensou, mesmo que tivesse falado, vai que disse menos do que queria, ou até tentou dizer, mas disse pra pessoa errada?
Acho que prefiro acreditar que Platão estava certo e que vagando em alguma órbita da Via Láctea está seu mundo Ideal onde pensamentos são concretos e verdadeiros. Relativamente. Essa é a minha segurança de que não estou generalizando. Quem pode ter certeza de alguma coisa num dia desses? Só chove se der sol, mas o inverso não procede? Eu acho que pode acontecer um terremoto a qualquer momento. Não importa se os cientistas podem provar por A + B que nossa placa tectônica permanecerá imóvel. Como eu posso saber se A + B não são apenas sombras de um pensamento mal traduzido? Nem sei por que escrevi isso tudo, às vezes nem era isso que eu queria dizer. Mas disse. Preferi ficar aqui sentada escrevendo a falar com aquela pessoa ali na outra mesa.

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